SOCIEDADE CIVIL – Presidente da COP30 promete ir à Cúpula dos Povos e levar declaração dos movimentos à Conferência

Movimentos populares articulam entrega de propostas e cobram participação efetiva na conferência do clima 12.ago.2025 às 18h00 São Paulo (SP) Redação Em julho, o ato “Mutirão dos Povos” em frente ao Centro de Convenções de Belém, exigiu participação popular na COP30 – João Paulo Guimarães O presidente da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, confirmou que participará da Cúpula dos Povos no dia 16 de novembro, data de encerramento do encontro que reunirá milhares de representantes de movimentos, redes e organizações populares em Belém. O compromisso inclui a leitura, na plenária oficial da conferência, da Declaração dos Povos – documento que consolidará diretrizes e ações consideradas essenciais pelos movimentos para enfrentar a crise climática. A confirmação ocorreu durante reunião, nesta segunda-feira (11), entre a Comissão Política da Cúpula e representantes da COP30. O encontro contou com a presença de Lago, da diretora executiva da conferência, Ana Toni, e de lideranças de organizações nacionais e internacionais, como a Via Campesina, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), o Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos, a Global Campaign to Demand Climate Justice, a Friends of the Earth International e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a diretora executiva, Ana Toni, durante reunião com a Comissão Política da Cúpula dos Povos (Foto: Divulgação/Cúpula dos Povos) O presidente da COP30 reconheceu a Cúpula como espaço legítimo de articulação dos movimentos populares e defendeu que as propostas discutidas sejam incorporadas à agenda oficial. Ele sugeriu ampliar a integração com a agenda de ação e com os canais de diálogo da conferência, de forma a incluir o acúmulo de debates e experiências do evento paralelo. Além da entrega da declaração, as organizações apresentaram demandas relacionadas à participação efetiva de suas lideranças nos espaços oficiais, incluindo a distribuição de credenciais para entidades de base. Também pediram garantias para a livre manifestação durante a conferência, especialmente para atos em solidariedade ao povo palestino, que em outras edições foram alvo de restrições. A Declaração dos Povos será construída a partir de seis eixos temáticos que incluem transição justa, combate ao racismo ambiental, defesa das cidades e periferias vivas, soberania alimentar e popular, além do feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A Cúpula dos Povos será realizada de 12 a 16 de novembro no campus da Universidade Federal do Pará, em paralelo à COP30, marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro. Editado por: Thalita Pires REPRODUÇÃO DO JORNAL BRASIL DE FATO
COP30 – Cúpula dos Povos luta por justiça climática

Movimentos sociais e comunidades tradicionais organizam espaço paralelo à Conferência Mundial do Clima na Amazônia Jesuan Xavier 11 de junho de 2025 Com os olhos do mundo voltados para Belém (PA), sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), a COP30, que acontecerá em novembro de 2025, movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e populações urbanas periféricas se organizam para romper a barreira das negociações oficiais e terem mais protagonismo no principal encontro internacional sobre a crise climática global. Desde 2023, os líderes dos chamados “excluídos” se reúnem periodicamente e organizam um espaço que funcionará no mesmo local e paralelamente à COP30, também entre os dias 12 a 16 de novembro: a “Cúpula dos Povos pela Justiça Climática”. A expectativa da organização é reunir cerca de 20 mil pessoas nesse ambiente, que contará com uma programação política, cultural e espiritual. O ponto alto será no dia 15, com uma grande mobilização internacional prevista para ecoar as vozes dos territórios. Em fevereiro de 2025, lideranças sociais e ambientais de 16 países, como França, Filipinas, Quênia, África do Sul, Togo e Equador, reuniram-se no Rio de Janeiro em uma série de encontros preparatórios. O objetivo foi avançar na construção de uma agenda que reflita as realidades do campo, das florestas e das periferias do planeta. À Radis, Araê Cupim, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e membro da comissão política da Cúpula, afirma que o evento paralelo “é sim um espaço de resistência, mas também de proposições. Uma resposta à exclusão sistemática das populações mais afetadas pelas mudanças climáticas”. Ele entende a importância da COP, mas não poupa críticas à sua estrutura e modelo. “A COP não é feita por nós, e nem para nós. As negociações estão mais preocupadas em viabilizar o mercado de carbono do que em escutar os verdadeiros afetados pela crise climática”, diz. “A COP não é feita por nós, e nem para nós. As negociações estão mais preocupadas em viabilizar o mercado de carbono do que em escutar os verdadeiros afetados pela crise climática” Araê Cupim Marcha durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília (10/4), defendeu a participação dos povos indígenas na COP30 — Foto: Juliana Duarte Injustiças climáticas Em agosto de 2024, cerca de 600 organizações assinaram e divulgaram a Carta Política da Cúpula dos Povos (https://cupuladospovoscop30.org/manifesto/). “Soluções reais são urgentes e a sociedade civil de todo o mundo deve ser protagonista em todos os espaços de debate desta agenda. A COP30 precisa representar um ponto de virada neste cenário, e endereçar as ações necessárias para o enfrentamento da crise climática”, cobra o documento. Não é a primeira vez que os organizadores da COP enfrentam um espaço paralelo de resistência e reivindicações. Houve iniciativas semelhantes já na Rio+20 (2012). A Cúpula dos Povos tem se consolidado como um espaço alternativo de crítica e proposição, presente em quase todas as edições das Conferências Mundiais do Clima. Em novembro, os representantes dos movimentos sociais e das populações tradicionais irão discutir uma proposta que enfrente os problemas climáticos com justiça, centrado na realidade dos territórios, na soberania popular e no bem viver. A partir de inúmeros debates, reuniões e plenárias, que acontecem há dois anos, foram definidos quatro eixos de trabalho: água, território e soberania dos povos; justiça climática; transição justa, popular e inclusiva; juventudes, crianças, adolescentes, mulheres e diversidades LGBTQIAPN+ no centro das decisões. Neste momento, a Cúpula dos Povos tem como objetivo pressionar e convencer o governo brasileiro a liderar a proposição de metas mais ousadas para a redução da temperatura global. Desde que foi lançada, no final de 2024, a Carta Política foi entregue ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à Secretaria Nacional Operativa da COP30 (Secop) e aos representantes do Executivo e parlamentares (deputados e senadores). As propostas incluem reformas agrária e urbana, incentivos à economia solidária e proteção às populações tradicionais, além do combate ao racismo ambiental e estrutural. “O clima extremo, as secas, as cheias, os deslizamentos de terras e as falsas soluções climáticas servem como instrumento de aprofundamento da desigualdade e das injustiças ambientais e climáticas, principalmente nos territórios, e atingem de forma cruel aqueles e aquelas que menos contribuíram para a crise climática, ecológica e civilizatória”, diz o documento. Indígenas reunidos no ATL apontam que a demarcação de terras e o protagonismo das populações tradicionais deve ser prioridade nos debates sobre clima e meio ambiente — Fotos: Juliana Duarte Viver sem destruir A Cúpula defende ainda uma política de desmatamento zero e uma maior responsabilização das grandes corporações. Araê tem uma preocupação a mais em relação ao atual debate sobre “transição energética justa”. Para ele, esse termo apenas mascara uma continuidade da lógica extrativista. “Não acreditamos nessa transição colocada. Ela não muda a forma de explorar a natureza, apenas a intensifica. O que está em jogo é justificar o acúmulo e a expansão do capitalismo com novos recursos minerais”, destaca. Outro integrante da organização da Cúpula, Eduardo Soares, secretário de Articulação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), destaca à Radis que representantes das comunidades religiosas também participarão ativamente do evento. Ele faz parte do Tapiri Inter-religioso, que reúne igrejas, organizações ecumênicas, povos de terreiros, espiritualidades indígenas, expressões diversas de tradições de fé presentes no Brasil. “É uma articulação ecumênica que também se fará presente na Cúpula dos Povos. Iremos discutir o fundamentalismo religioso e a defesa da liberdade de expressão e de culto.” Eduardo acredita que será uma oportunidade única para mostrar ao mundo que é possível viver sem destruir. “Nossa espiritualidade, nosso modo de viver, nossa relação com a floresta, com o rio, com os outros seres vivos, tudo isso é parte de uma ecologia integral. Não se trata só de reduzir carbono, mas de mudar a lógica que destrói”, afirma. Para ele, a Cúpula dos Povos é a expressão da resistência dos territórios frente às falsas soluções do mercado. “É um espaço onde a vida real, que pulsa nas comunidades, ganha voz e propõe caminhos”, pontua. Participação real
ENCONTRO EM BELÉM – Povos tradicionais do Brasil e exterior cobram protagonismo na COP30 e na luta contra mudanças climáticas

ENCONTRO EM BELÉM Povos tradicionais do Brasil e exterior cobram protagonismo na COP30 e na luta contra mudanças climáticas Mais de 70 organizações se reúnem em Belém para reafirmar protagonismos dos povos da Amazônia 31.maio.2025 às 15h03 Atualizado em 24.jun.2025 às 14h11 Belém (Pará) Mariana Castro Mais de 70 organizações se reúnem em Belém para reafirmar protagonismos dos povos da Amazônia – Foto Caetano Scannavino Na sexta-feira (30), representantes de mais de 70 movimentos populares, organizações e povos tradicionais de 13 países se reuniram em ato político realizado em Belém, onde foi anunciado oficialmente que a Universidade Federal do Pará será o palco central das discussões da Cúpula dos Povos durante a COP30. O evento reforça a exigência de que os povos da Amazônia sejam os verdadeiros protagonistas da luta climática, a partir da escuta, do diálogo e proposição de políticas públicas, considerando a vivência e os saberes tradicionais. Sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”, os povos da América Latina, África, Ásia e Europa proclamam: não há solução para a crise climática que não parta e envolva os povos originários e tradicionais. Representando os povos indígenas do Brasil, Auricélia Arapiun, liderança indígena do Baixo Tapajós (PA) que compõe a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) participou do ato. “A resposta somos nós, que estamos há muito tempo dizendo que temos a solução. Se eles tivessem a solução, nós não estaríamos a caminho do fim do mundo, como estamos hoje. Muito pelo contrário, a cada COP a situação só piora porque nós não estamos lá dentro, não somos ouvidos e nem seremos”, destaca Auricélia. Durante sua fala, Auricélia pontuou fortemente atos de retrocesso por parte do Congresso Nacional, a exemplo da aprovação do Projeto de Lei 2159/2021, popularmente conhecido como PL da Devastação, que estabelece um novo marco para o licenciamento ambiental no Brasil em detrimento dos direitos dos povos tradicionais. “Que COP30 queremos para o Brasil se o Congresso Nacional está atacando nossos territórios, está atacando o meio ambiente, se tem o PL da devastação, da destruição dos nossos territórios? Se aprovaram o PL de retrocesso demarcação das terras indígenas? Não é possível que estamos caminhando para esse ponto, ao mesmo tempo em que o Brasil e o governo do Pará se colocam como líderes de enfrentamento à crise climática”, denuncia Auricélia. O lançamento do território da Cúpula dos Povos demarca o espaço público UFPA para reafirmar as práticas ancestrais, comunitárias e populares como caminhos concretos e viáveis para enfrentar a crise climática com justiça social. “Essa Cúpula tem o papel fundamental de popularizar, de envolver o povo, de colocar o povo no centro dos debates, se apropriando do debate do clima e propondo, a partir da sua prática concreta e real, a transformação desse mundo que pertence a todos. E nós estamos dizendo que é necessária a participação popular que a COP, a Cúpula e o governo brasileiro demonstrem, de fato, um compromisso pela mudança”, explica Pablo Neri, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Cúpula dos Povos vai além da COP30 O ato compõe uma agenda de quatro dias que marcam a consolidação de estratégias coletivas para o evento principal em novembro, quando a Cúpula espera reunir cerca de 15 mil pessoas em Belém para uma ampla programação, que prevê a participação de mais de 700 organizações e redes sociais. No entanto, as organizações reforçam que a COP30 não encerra a construção coletiva da Cúpula dos Povos, que vai além de calendários pré-determinados e tende a ser um espaço para a garantia do diálogo e luta permanente e internacionalista em defesa da Amazônia, dos povos e territórios. Compondo a comitiva internacionalista do encontro, Sophie Ogutu, queniana de Nairóbi e integrante do Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres reforça a importância desse espaço destinado aos povos. “As soluções para o mundo nunca virão em uma canetada. Nós estamos aqui e nós temos as soluções. E estou muito grata por estar aqui na Universidade do Pará, nesse espaço que deram para a gente. E olha, lá no Quênia, todos falam que de todas as COPs, gostariam de estar nessa do Brasil, porque aqui temos voz, aqui vocês abrem espaço para todos”, garantiu Sophie. Com firmeza, Denisse Chavez traz o protagonismo feminino nas lutas por justiça climática. Foto: Thaigon Arapiun Do Peru, a ativista e feminista Denisse Chavez, do grupo Mujeres y Cambio Climáctico (GIMCC), reafirma ainda que a luta por justiça climática integra a luta por justiça em suas diversas esferas. “Nós continuamos essa luta e vamos seguir para deixar para nossas filhas e nossas netas um mundo melhor. E nós só vamos conseguir isso exigindo justiça climática, justiça de gênero, justiça ambiental para todos os homens, mulheres e diversidades”, reforça Cúpula dos Povos Desde 1992, a Cúpula dos Povos é um grito de resistência e justiça por meio de um espaço autônomo onde as comunidades mais atingidas pela crise climática como os povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e moradores das periferias urbanas, somam forças para ecoar suas vozes e demandas. Em novembro de 2025, o Brasil receberá a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), nesse contexto, mais de 700 organizações, redes, coletivos se juntaram para construir um amplo processo de mobilização para que a COP no Brasil seja um ponto de virada nas discussões sobre a crise climática. Editado por: Rodrigo Durao Coelho REPRODUÇÃO DO JORNAL BRASIL DE FATO
