Saiu na imprensa: Comida-território, o legado da agroecologia na mesa da COP na Amazônia | Na contramão do agronegócio e alvos do racismo, cozinhas nas zonas oficiais da conferência do clima e na Cúpula dos Povos deram ao mundo o mapa do caminho para transformar o sistema alimentar.

Das mãos das irmãs Lúcia e Nazaré Reis, e de outras mãos que semeiam juntas, veio um dos avanços da COP na Amazônia: a comida-território que encheu os pratos do mundo com solução climática. Pela primeira vez na história das conferências do clima, a alimentação foi porta-voz da transição e da justiça que documentos oficiais ainda não entregam. Apesar do lobby do agronegócio que invadiu Belém e do racismo alimentar que partiu da própria organização da COP30, a agroecologia deixou seu legado. Lúcia, psicopedagoga, tem 74 anos; ela entrega prosa e farofa das boas. Nazaré, agrônoma, tem 72; partilha amor e luta pela terra. As irmãs fazem parte da Rede Bragantina de Economia Solidária, Artes e Sabores, que reúne mais de 2 mil famílias da agricultura familiar e suas associações, de 11 municípios do nordeste do Pará, com produções sem corte, sem queima e sem veneno. Uma parceria entre a Rede Bragantina e a Central do Cerrado, formada por cooperativas do Cerrado, da Caatinga e da Amazônia, deu vida ao restaurante da Sociobio, levando o que brota dos biomas para dentro da COP30. A prioridade do restaurante era atender voluntários e trabalhadores – após as 14 horas, a entrada era liberada a qualquer pessoa. Por isso, começou antes e terminou depois da COP, servindo cerca de 80 mil refeições ao longo desse período. Em cinco semanas de operação, foram cerca de 100 toneladas de alimentos comprados, mais de 75% deles vindos de 60 organizações de agricultores familiares e de povos e comunidades tradicionais. O bandejão da diversidade ia do pirarucu de manejo sustentável do Médio Juruá, Amazonas, ao arroz do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul. A refeição incluía um copo de suco e custava 40 reais – um preço mais acessível dentro do espaço da Zona Azul, onde a comida era bem mais cara. A Rede Bragantina também levou seus sabores à Cúpula dos Povos, o banzeiro popular que misturou mais de mil organizações sociais do mundo em barqueata, marcha e atividades paralelas à COP oficial. A cúpula terminou num domingo com um banquetaço em praça pública. Lá estava a Rede Bragantina junto a outros sete grupos de mulheres agroextrativistas, agricultoras familiares, Quilombolas, dos terreiros de matriz africana, das periferias urbanas. Uma tonelada e meia de alimentos vertidos em receitas da cultura alimentar amazônica foi distribuída a cerca de 2 mil pessoas que se enfileiraram até o cair da noite. Só de açaí foram 500 litros. A militante do MST Beatriz Luz participou da organização do banquetaço, que, além de comida, entregou um projeto de mundo possível. “A gente sentiu um diálogo com a cidade muito forte. E conseguiu posicionar o banquete público enquanto ato político, oferecer comida e, a partir disso, demonstrar que a gente tem capacidade de alimentar a sociedade. A gente precisa de política pública, a gente precisa de territórios vivos, a gente precisa de cozinha solidária ativa.” Beatriz também fez parte da cozinha solidária da Cúpula dos Povos, tocada pelo MST junto com o Movimento Camponês Popular e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Cozinha solidária é uma tecnologia dos movimentos sociais, do povo que planta a comida e mata a fome. O acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos, do governo federal, garantiu a compra de 86 toneladas de insumos agroecológicos e comida gratuita para a gente de luta mobilizada na Cúpula. Os alimentos não utilizados foram doados a outras cozinhas solidárias do Pará. Sem o gado do agronegócio, a Cúpula dos Povos trouxe a defesa dos territórios por soberania alimentar, que é parte da resistência contra a emergência climática. “Pra nós, a mudança climática não pode ser vista de forma isolada, dissociada de um conjunto de crises produzidas pelo sistema capitalista. E a principal medida de qualquer política de enfrentamento a esse sistema de crises é reforma agrária, é demarcação de terra, é regularização fundiária”, defende Beatriz. Agronegócio faz do sistema alimentar um problema climático Um dos agentes das crises que adoecem o planeta, o agronegócio montou seu teatro na AgriZone, espaço da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. Entre os patrocinadores estavam o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, mantido pela Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA) – a mesma que, no final de novembro, acionou o Supremo Tribunal Federal contra as novas demarcações de Terras Indígenas anunciadas pelo governo durante a COP –, e a fabricante de agrotóxicos Bayer. No país que mais consome veneno agrícola no mundo, o Congresso brasileiro, depois de matar o licenciamento ambiental, agora tenta suspender o Programa Nacional de Rastreabilidade de Agrotóxicos e Afins. O agronegócio, herdeiro dos latifúndios coloniais baseados em monoculturas e na exploração de pessoas escravizadas, é uma das mais poderosas forças de captura da política nacional e o principal vetor que torna o sistema alimentar um grande problema para o clima. Sistema alimentar é um conceito que discute o caminho desde a produção, passa por processamento, distribuição e consumo, e chega até o descarte dos alimentos. O sétimo relatório Perspectivas do Meio Ambiente Global, GEO-7, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, publicado este mês, aponta a transformação do sistema alimentar entre os cinco caminhos necessários para tornar o planeta saudável e sustentável. O documento afirma que o atual sistema alimentar é insustentável e está entre os principais impulsionadores das mudanças do clima, da perda de biodiversidade, da degradação do solo e da poluição. Enquanto isso, bilhões de pessoas não têm acesso à alimentação nutritiva o suficiente e acabam tendo de enfrentar a fome. Um terço das emissões globais de gases de efeito estufa vem do sistema alimentar. O Brasil é o segundo maior emissor do mundo por esse quesito, atrás apenas da China, conforme dados levantados pela Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis. Culpa das mudanças no uso da terra – causadas majoritariamente pelo desmatamento – e da atividade agropecuária – em grande parte por conta do gás metano liberado no chamado “arroto do boi”, em
Saiu na imprensa: Fora das negociações oficiais, justiça de gênero ganha força nas ruas de Belém.

Cúpula dos Povos entrega carta com 15 pontos ao presidente da COP30 e reafirma que justiça climática passa por justiça feminista Autora: Flávia Santos Edição: Jane Fernandes e Mariana Rosetti “Queremos um mundo com justiça feminista” pede a Carta dos Povos, documento produzido pela Cúpula dos Povos, que reuniu mais de 23 mil pessoas credenciadas entre 12 e 16 de novembro na Universidade Federal do Pará (UFPA). O documento, que traz 15 pontos que sintetizam as demandas dos movimentos populares do mundo todo para o enfrentamento da crise climática, foi entregue ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. O texto é resultado de uma mobilização iniciada ainda em 2024, reunindo movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e organizações da sociedade civil para pressionar pela participação política efetiva nas discussões climáticas. Se a justiça de gênero segue às margens das negociações oficiais das conferências do clima, como AzMina mostrou neste texto, nas ruas de Belém a história é outra. O documento final foi construído durante a conferência, através de seis eixos de convergência que pautaram os debates e assembleias ao longo da semana. Um deles foi especificamente dedicado ao “feminismo popular e resistências das mulheres nos territórios“, onde se discutiu como a crise climática impacta de forma diferenciada a vida das mulheres e como elas têm sido protagonistas nas soluções construídas. “Nossos corpos e territórios são alvos de ataques, mas também são espaços de cuidado e de força. Somos nós que sustentamos a vida nas comunidades, que cuidamos da terra, da água, da casa e dos mais velhos. Falar de justiça climática é falar também de justiça de gênero, de raça e de território”, declarou Ediene Kirixi, liderança do povo Munduruku, em um dos eventos da Cúpula dos Povos. Os outros cinco eixos abordaram territórios vivos e soberania alimentar; reparação histórica e combate ao racismo ambiental; transição justa e inclusiva; democracia e internacionalismo dos povos; e cidades justas e periferias urbanas. Mulheres na carta A Carta dos Povos foi entregue ao embaixador da COP no domingo (17). Na introdução, o texto aborda a realidade das mulheres e afirma que “as comunidades periféricas são as mais afetadas pelos eventos climáticos extremos e o racismo ambiental” e enfrentam “a falta de ações de justiça e reparação, em especial às mulheres, jovens, pessoas empobrecidas e não brancas.“ Racismo ambiental é o termo que descreve como populações negras, indígenas e empobrecidas são desproporcionalmente expostas a riscos ambientais – vivem mais perto de lixões, áreas de deslizamento, regiões alagáveis e zonas contaminadas. Dados mostram que essas comunidades são as que mais perdem suas casas, seus meios de sustento e, muitas vezes, suas vidas quando um desastre climático acontece. Nesse contexto, as mulheres carregam o peso adicional de garantir a sobrevivência da família em meio ao caos. Segundo o Censo Demográfico 2022, a população residente em Favelas e Comunidades Urbanas no Brasil é 51,7% feminina. Entre os 15 tópicos de reivindicações, o nono é dedicado inteiramente ao trabalho de cuidado, majoritariamente feminino. “Os trabalhos de reprodução da vida devem ser visibilizados, valorizados, compreendidos como o que são – trabalho – e compartilhados no conjunto da sociedade e com o Estado.” Além disso, mulheres não devem ser responsabilizadas individualmente pelo cuidado, reforça a carta. Não por acaso, entre as pessoas que declaram realizar trabalho doméstico e/ou de cuidados remunerados, 93,9% são mulheres e apenas 6,1% são homens, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O bloco finaliza dizendo: “queremos um mundo com justiça feminista, autonomia e participação das mulheres”. Ao longo de todo o documento, a palavra “mulheres” aparece cinco vezes. Além dos pontos mencionados, ela surge na lista de grupos que participaram da construção da Cúpula, na denúncia do genocídio palestino que atinge majoritariamente crianças, mulheres e idosos, e novamente no ponto sobre autonomia e participação feminina. Pautas que se cruzam com as de gênero A carta perpassa questões que se interseccionam com as discussões de gênero, mesmo quando não as nomeia explicitamente. “Não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo é parte central do nosso projeto político“, diz o documento. A soberania alimentar, por exemplo, é uma das principais pautas da carta e tem tudo a ver com a vida das mulheres. O conceito parte do pressuposto de que não basta ter comida suficiente, mas é necessário ter controle sobre como essa comida é produzida, distribuída e consumida. São as mulheres camponesas, indígenas e quilombolas que guardam as sementes crioulas, que mantêm os conhecimentos tradicionais sobre plantio e colheita, que garantem a alimentação das comunidades. Quando a carta reivindica “reforma agrária popular e fomento à agroecologia para garantia da soberania alimentar“, está falando diretamente do trabalho dessas mulheres. A transição justa é outro termo que aparece com força no documento. A proposta não é simplesmente trocar combustíveis fósseis por fontes renováveis mantendo a mesma lógica de exploração. A transição energética justa exige que os trabalhadores e comunidades afetadas sejam protagonistas do processo e tenham seus direitos garantidos. Mobilização nas ruas A pauta de gênero também se fez presente nas ruas de Belém, cidade sede da COP30. No último sábado (15), a Marcha Global por Justiça Climática reuniu milhares de pessoas. A manifestação reuniu povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, estudantes, sindicalistas e ativistas de mais de 60 países. Kirtana Chandrasekaran, diretora executiva da Friends of the Earth International, contou que foi à marcha em solidariedade às milhares de pessoas que participavam. “Sabemos que estamos lutando contra o mesmo sistema. O sistema capitalista, patriarcal, colonialista e imperialista que está causando a crise que vemos hoje”, comentou. No domingo (16), a Cúpula realizou o Banquetaço na Praça da República, com distribuição gratuita de alimentos à população. O ato, organizado em parceria com movimentos de segurança alimentar, serviu refeições preparadas com alimentos que seriam descartados por feiras e supermercados, mas que ainda eram próprios para consumo. A barqueata, manifestação em barcos, realizada quarta-feira (12), reuniu mulheres indígenas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras e moradoras de
Saiu na imprensa: Termina em Belém a Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP 30.

Reportagem veiculada na TV Globo Rio de Janeiro (Globo – RJ), no dia 17/11/25.
Saiu na imprensa: COP 30 – Cúpula dos Povos termina em Belém

Entidades da sociedade civil divulgaram uma carta com demandas que serão apresentadas na semana final da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Por Fantástico 16/11/2025 21h5 Terminou no domingo (16), em Belém a Cúpula dos Povos, um evento paralelo à COP 30. Entidades da sociedade civil divulgaram uma carta com demandas que serão apresentadas na semana final da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Confira na reportagem do Fantástico através do link AQUI.
Saiu na imprensa: Movimentos sociais e COP 30. Alianças transnacionais contra a ofensiva extrativista global.

El Informante13 de novembro de 2025 Há movimento em Belém. De um lado, a cúpula oficial, inaugurada ontem (10N, ndr.), onde durante duas semanas as delegações dos países discutirão se é possível avançar em termos de mitigação, financiamento e mecanismos para uma transição justa. De outro, diversos fóruns e espaços de encontro em que organizações e grupos sociais de todo o mundo, especialmente da América Latina, tentam nestes dias revitalizar alianças internacionalistas para enfrentar a ofensiva extrativista global. Desde o início, na verdade, não se pode esperar muito. Durante tempo demais, as COPs se transformaram em um ritual pelo qual desfilam os principais líderes mundiais — nesta ocasião, nem sequer os dos países com maiores emissões China, Estados Unidos, Índia e Rússia — para emitir solenes declarações de intenção e promover novos mecanismos que, quando as cortinas das cúpulas se fecham, não se traduzem de forma efetiva em cronogramas e orçamentos. “Não queremos que seja um mercado de produtos ideológicos, queremos algo muito sério e que as decisões sejam aplicadas”, afirmou o presidente do Brasil, ao reconhecer as ineficiências de alguns dos vértices que oscilam entre o greenwashing e o negócio como sempre. No segundo espaço, porém, é possível encontrar esperanças renovadas. Em paralelo à COP 30 — ou poderíamos dizer, em contraste com a cúpula oficial — uma multidão de organizações e movimentos indígenas, ambientalistas, sindicais, feministas e anticapitalistas se reuniu em Belém para repensar estratégias e reativar instâncias internacionais capazes de fortalecer os processos de luta e resistência. Seguindo a experiência do Fórum Social Mundial e os esforços para superar as contradições dos governos progressistas, o objetivo é promover processos de auto-organização comunitária que renovem o tecido social e olhem para além das constantes demandas dirigidas ao Estado. Cúpulas populares As cúpulas populares acontecem há trinta anos no marco das cúpulas climáticas promovidas pelas Nações Unidas. Neste ano, após três edições da COP realizadas em países marcados pela criminalização do direito ao protesto e pela perseguição a ativistas e organizações críticas aos governos, o interesse dos grupos sociais por esse espaço foi retomado. Na Cúpula dos Povos, em Belém, haverá representantes de mais de 1.200 organizações de todo o mundo, reunidas em torno de um objetivo comum “fortalecer a mobilização popular e convergir em agendas únicas socioecológicas, antipatriarcais, anticapitalistas, antirracistas e anticoloniais, baseadas nos direitos humanos, e em um manifesto”. A cúpula nacional começará amanhã, 12 de novembro, com uma marcha fluvial de mais de 200 embarcações, reunindo cerca de 5.000 pessoas. Com essa caravana náutica, os movimentos participantes dessa cúpula alternativa “se uniram para fazer ecoar pelas águas um grito de condenação às decisões da ZP que perpetuam este modelo de exploração territorial”. Como afirmou um dos porta-vozes da iniciativa, “as águas da Amazônia trazem vozes que o mundo precisa escutar as que defendem a vida, os territórios e o clima”. Dezenas de debates, oficinas e assembleias que acontecerão ao longo de quatro dias no âmbito da Cúpula dos Povos culminarão no sábado, 15 de novembro, com grandes manifestações, seguidas de ações descentralizadas em muitos outros países. No domingo, dia 16, as demandas da Cúpula Nacional serão apresentadas no plenário da Comunidade de Prática. Neste evento, o maior de todos os que reunirão ativistas e organizações sociais em torno da COP 30, um dos temas que certamente estará em debate é a relação do movimento com os governos progressistas. Há apenas três semanas, a empresa estatal Petrobras recebeu autorização do governo Lula para explorar petróleo em águas profundas a cerca de 500 quilômetros da foz do rio Amazonas. Em uma cidade decorada para a ocasião com milhares de cartazes publicitários coloridos que enfatizam a importância do cuidado com a Amazônia, a distância entre a retórica habitual do capitalismo verde e a sempre adiada urgência de transformar a matriz de exportações primárias voltará a ficar evidente. Mas este não é, de forma alguma, o único espaço que ocorre em Belém à margem das iniciativas patrocinadas pelo governo brasileiro. Entre os dias 8 e 11 de novembro, aconteceu o II Encontro Ecossocialista da América Latina e do Caribe, no qual duzentos ativistas de diferentes países se reuniram para, a partir da experiência das lutas contra o saque territorial, pensar estratégias de fortalecimento de uma frente internacionalista comum capaz de enfrentar a crise socioecológica. Da mesma forma, entre 7 e 12 de novembro, ocorreu o IV Encontro Internacional de Atingidos por Barragens, resultado de um processo de coordenação internacional da luta comunitária contra grandes barragens e usinas hidrelétricas que já dura três décadas. Povos contra o extrativismo Em um planeta mergulhado em emergências climáticas e em uma desigualdade extrema criada pelo Capitaloceno — e pelas políticas que pintam de verde o capitalismo — vozes diversas de resistência ao modelo extrativista se uniram em uma coalizão Povos contra o Extrativismo. Esse espaço foi fundado em Belém no dia 9 de novembro para unir e articular movimentos, comunidades e organizações que enfrentam o despojo e apostam em uma transformação profunda de um sistema que ameaça vidas e territórios. Essa rede internacional reúne experiências principalmente da América Latina e da Europa, com a determinação de ampliar sua presença no continente africano. A coalizão é formada por movimentos locais, povos indígenas, afrodescendentes e camponeses, assim como por diversas organizações sociais de massa. Todos lutam, a partir de diferentes frentes, contra o mesmo inimigo o modelo extrativista que sustenta a sobreexploração contínua dos bens comuns e a ampliação das fronteiras de produção para territórios considerados “improdutivos”. Não se limita à mineração ou ao petróleo. Inclui também monocultivos, agronegócio, biocombustíveis e megaprojetos energéticos que consolidam o modelo dependente e geram a reprimarização das economias periféricas. Para essa rede, o extrativismo não é apenas uma prática econômica, mas também uma forma de organização do poder dentro das democracias liberais e um mecanismo de dominação que condiciona a vida das comunidades. Nesta nova fase de acumulação capitalista, o despojo — cinicamente convertido em zonas de sacrifício — se impõe sobre as pessoas e seus territórios, agora justificado
Saiu na imprensa: SOCIEDADE CIVIL – Presidente da COP30 promete ir à Cúpula dos Povos e levar declaração dos movimentos à Conferência

Movimentos populares articulam entrega de propostas e cobram participação efetiva na conferência do clima 12.ago.2025 às 18h00 São Paulo (SP) Redação Em julho, o ato “Mutirão dos Povos” em frente ao Centro de Convenções de Belém, exigiu participação popular na COP30 – João Paulo Guimarães O presidente da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, confirmou que participará da Cúpula dos Povos no dia 16 de novembro, data de encerramento do encontro que reunirá milhares de representantes de movimentos, redes e organizações populares em Belém. O compromisso inclui a leitura, na plenária oficial da conferência, da Declaração dos Povos – documento que consolidará diretrizes e ações consideradas essenciais pelos movimentos para enfrentar a crise climática. A confirmação ocorreu durante reunião, nesta segunda-feira (11), entre a Comissão Política da Cúpula e representantes da COP30. O encontro contou com a presença de Lago, da diretora executiva da conferência, Ana Toni, e de lideranças de organizações nacionais e internacionais, como a Via Campesina, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), o Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos, a Global Campaign to Demand Climate Justice, a Friends of the Earth International e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a diretora executiva, Ana Toni, durante reunião com a Comissão Política da Cúpula dos Povos (Foto: Divulgação/Cúpula dos Povos) O presidente da COP30 reconheceu a Cúpula como espaço legítimo de articulação dos movimentos populares e defendeu que as propostas discutidas sejam incorporadas à agenda oficial. Ele sugeriu ampliar a integração com a agenda de ação e com os canais de diálogo da conferência, de forma a incluir o acúmulo de debates e experiências do evento paralelo. Além da entrega da declaração, as organizações apresentaram demandas relacionadas à participação efetiva de suas lideranças nos espaços oficiais, incluindo a distribuição de credenciais para entidades de base. Também pediram garantias para a livre manifestação durante a conferência, especialmente para atos em solidariedade ao povo palestino, que em outras edições foram alvo de restrições. A Declaração dos Povos será construída a partir de seis eixos temáticos que incluem transição justa, combate ao racismo ambiental, defesa das cidades e periferias vivas, soberania alimentar e popular, além do feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A Cúpula dos Povos será realizada de 12 a 16 de novembro no campus da Universidade Federal do Pará, em paralelo à COP30, marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro. Editado por: Thalita Pires REPRODUÇÃO DO JORNAL BRASIL DE FATO. CLIQUE AQUI.
Saiu na imprensa: COP30 – Cúpula dos Povos luta por justiça climática

Movimentos sociais e comunidades tradicionais organizam espaço paralelo à Conferência Mundial do Clima na Amazônia Jesuan Xavier 11 de junho de 2025 Com os olhos do mundo voltados para Belém (PA), sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), a COP30, que acontecerá em novembro de 2025, movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e populações urbanas periféricas se organizam para romper a barreira das negociações oficiais e terem mais protagonismo no principal encontro internacional sobre a crise climática global. Desde 2023, os líderes dos chamados “excluídos” se reúnem periodicamente e organizam um espaço que funcionará no mesmo local e paralelamente à COP30, também entre os dias 12 a 16 de novembro: a “Cúpula dos Povos pela Justiça Climática”. A expectativa da organização é reunir cerca de 20 mil pessoas nesse ambiente, que contará com uma programação política, cultural e espiritual. O ponto alto será no dia 15, com uma grande mobilização internacional prevista para ecoar as vozes dos territórios. Em fevereiro de 2025, lideranças sociais e ambientais de 16 países, como França, Filipinas, Quênia, África do Sul, Togo e Equador, reuniram-se no Rio de Janeiro em uma série de encontros preparatórios. O objetivo foi avançar na construção de uma agenda que reflita as realidades do campo, das florestas e das periferias do planeta. À Radis, Araê Cupim, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e membro da comissão política da Cúpula, afirma que o evento paralelo “é sim um espaço de resistência, mas também de proposições. Uma resposta à exclusão sistemática das populações mais afetadas pelas mudanças climáticas”. Ele entende a importância da COP, mas não poupa críticas à sua estrutura e modelo. “A COP não é feita por nós, e nem para nós. As negociações estão mais preocupadas em viabilizar o mercado de carbono do que em escutar os verdadeiros afetados pela crise climática”, diz. “A COP não é feita por nós, e nem para nós. As negociações estão mais preocupadas em viabilizar o mercado de carbono do que em escutar os verdadeiros afetados pela crise climática” Araê Cupim Marcha durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília (10/4), defendeu a participação dos povos indígenas na COP30 — Foto: Juliana Duarte Injustiças climáticas Em agosto de 2024, cerca de 600 organizações assinaram e divulgaram a Carta Política da Cúpula dos Povos (https://cupuladospovoscop30.org/manifesto/). “Soluções reais são urgentes e a sociedade civil de todo o mundo deve ser protagonista em todos os espaços de debate desta agenda. A COP30 precisa representar um ponto de virada neste cenário, e endereçar as ações necessárias para o enfrentamento da crise climática”, cobra o documento. Não é a primeira vez que os organizadores da COP enfrentam um espaço paralelo de resistência e reivindicações. Houve iniciativas semelhantes já na Rio+20 (2012). A Cúpula dos Povos tem se consolidado como um espaço alternativo de crítica e proposição, presente em quase todas as edições das Conferências Mundiais do Clima. Em novembro, os representantes dos movimentos sociais e das populações tradicionais irão discutir uma proposta que enfrente os problemas climáticos com justiça, centrado na realidade dos territórios, na soberania popular e no bem viver. A partir de inúmeros debates, reuniões e plenárias, que acontecem há dois anos, foram definidos quatro eixos de trabalho: água, território e soberania dos povos; justiça climática; transição justa, popular e inclusiva; juventudes, crianças, adolescentes, mulheres e diversidades LGBTQIAPN+ no centro das decisões. Neste momento, a Cúpula dos Povos tem como objetivo pressionar e convencer o governo brasileiro a liderar a proposição de metas mais ousadas para a redução da temperatura global. Desde que foi lançada, no final de 2024, a Carta Política foi entregue ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à Secretaria Nacional Operativa da COP30 (Secop) e aos representantes do Executivo e parlamentares (deputados e senadores). As propostas incluem reformas agrária e urbana, incentivos à economia solidária e proteção às populações tradicionais, além do combate ao racismo ambiental e estrutural. “O clima extremo, as secas, as cheias, os deslizamentos de terras e as falsas soluções climáticas servem como instrumento de aprofundamento da desigualdade e das injustiças ambientais e climáticas, principalmente nos territórios, e atingem de forma cruel aqueles e aquelas que menos contribuíram para a crise climática, ecológica e civilizatória”, diz o documento. Indígenas reunidos no ATL apontam que a demarcação de terras e o protagonismo das populações tradicionais deve ser prioridade nos debates sobre clima e meio ambiente — Fotos: Juliana Duarte Viver sem destruir A Cúpula defende ainda uma política de desmatamento zero e uma maior responsabilização das grandes corporações. Araê tem uma preocupação a mais em relação ao atual debate sobre “transição energética justa”. Para ele, esse termo apenas mascara uma continuidade da lógica extrativista. “Não acreditamos nessa transição colocada. Ela não muda a forma de explorar a natureza, apenas a intensifica. O que está em jogo é justificar o acúmulo e a expansão do capitalismo com novos recursos minerais”, destaca. Outro integrante da organização da Cúpula, Eduardo Soares, secretário de Articulação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), destaca à Radis que representantes das comunidades religiosas também participarão ativamente do evento. Ele faz parte do Tapiri Inter-religioso, que reúne igrejas, organizações ecumênicas, povos de terreiros, espiritualidades indígenas, expressões diversas de tradições de fé presentes no Brasil. “É uma articulação ecumênica que também se fará presente na Cúpula dos Povos. Iremos discutir o fundamentalismo religioso e a defesa da liberdade de expressão e de culto.” Eduardo acredita que será uma oportunidade única para mostrar ao mundo que é possível viver sem destruir. “Nossa espiritualidade, nosso modo de viver, nossa relação com a floresta, com o rio, com os outros seres vivos, tudo isso é parte de uma ecologia integral. Não se trata só de reduzir carbono, mas de mudar a lógica que destrói”, afirma. Para ele, a Cúpula dos Povos é a expressão da resistência dos territórios frente às falsas soluções do mercado. “É um espaço onde a vida real, que pulsa nas comunidades, ganha voz e propõe caminhos”, pontua. Participação real
Saiu na imprensa: Povos tradicionais do Brasil e exterior cobram protagonismo na COP30 e na luta contra mudanças climáticas.

Povos tradicionais do Brasil e exterior cobram protagonismo na COP30 e na luta contra mudanças climáticas Mais de 70 organizações se reúnem em Belém para reafirmar protagonismos dos povos da Amazônia 31.maio.2025 às 15h03 Atualizado em 24.jun.2025 às 14h11 Belém (Pará) Mariana Castro Mais de 70 organizações se reúnem em Belém para reafirmar protagonismos dos povos da Amazônia – Foto Caetano Scannavino Na sexta-feira (30), representantes de mais de 70 movimentos populares, organizações e povos tradicionais de 13 países se reuniram em ato político realizado em Belém, onde foi anunciado oficialmente que a Universidade Federal do Pará será o palco central das discussões da Cúpula dos Povos durante a COP30. O evento reforça a exigência de que os povos da Amazônia sejam os verdadeiros protagonistas da luta climática, a partir da escuta, do diálogo e proposição de políticas públicas, considerando a vivência e os saberes tradicionais. Sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”, os povos da América Latina, África, Ásia e Europa proclamam: não há solução para a crise climática que não parta e envolva os povos originários e tradicionais. Representando os povos indígenas do Brasil, Auricélia Arapiun, liderança indígena do Baixo Tapajós (PA) que compõe a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) participou do ato. “A resposta somos nós, que estamos há muito tempo dizendo que temos a solução. Se eles tivessem a solução, nós não estaríamos a caminho do fim do mundo, como estamos hoje. Muito pelo contrário, a cada COP a situação só piora porque nós não estamos lá dentro, não somos ouvidos e nem seremos”, destaca Auricélia. Durante sua fala, Auricélia pontuou fortemente atos de retrocesso por parte do Congresso Nacional, a exemplo da aprovação do Projeto de Lei 2159/2021, popularmente conhecido como PL da Devastação, que estabelece um novo marco para o licenciamento ambiental no Brasil em detrimento dos direitos dos povos tradicionais. “Que COP30 queremos para o Brasil se o Congresso Nacional está atacando nossos territórios, está atacando o meio ambiente, se tem o PL da devastação, da destruição dos nossos territórios? Se aprovaram o PL de retrocesso demarcação das terras indígenas? Não é possível que estamos caminhando para esse ponto, ao mesmo tempo em que o Brasil e o governo do Pará se colocam como líderes de enfrentamento à crise climática”, denuncia Auricélia. O lançamento do território da Cúpula dos Povos demarca o espaço público UFPA para reafirmar as práticas ancestrais, comunitárias e populares como caminhos concretos e viáveis para enfrentar a crise climática com justiça social. “Essa Cúpula tem o papel fundamental de popularizar, de envolver o povo, de colocar o povo no centro dos debates, se apropriando do debate do clima e propondo, a partir da sua prática concreta e real, a transformação desse mundo que pertence a todos. E nós estamos dizendo que é necessária a participação popular que a COP, a Cúpula e o governo brasileiro demonstrem, de fato, um compromisso pela mudança”, explica Pablo Neri, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Cúpula dos Povos vai além da COP30 O ato compõe uma agenda de quatro dias que marcam a consolidação de estratégias coletivas para o evento principal em novembro, quando a Cúpula espera reunir cerca de 15 mil pessoas em Belém para uma ampla programação, que prevê a participação de mais de 700 organizações e redes sociais. No entanto, as organizações reforçam que a COP30 não encerra a construção coletiva da Cúpula dos Povos, que vai além de calendários pré-determinados e tende a ser um espaço para a garantia do diálogo e luta permanente e internacionalista em defesa da Amazônia, dos povos e territórios. Compondo a comitiva internacionalista do encontro, Sophie Ogutu, queniana de Nairóbi e integrante do Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres reforça a importância desse espaço destinado aos povos. “As soluções para o mundo nunca virão em uma canetada. Nós estamos aqui e nós temos as soluções. E estou muito grata por estar aqui na Universidade do Pará, nesse espaço que deram para a gente. E olha, lá no Quênia, todos falam que de todas as COPs, gostariam de estar nessa do Brasil, porque aqui temos voz, aqui vocês abrem espaço para todos”, garantiu Sophie. Com firmeza, Denisse Chavez traz o protagonismo feminino nas lutas por justiça climática. Foto: Thaigon Arapiun Do Peru, a ativista e feminista Denisse Chavez, do grupo Mujeres y Cambio Climáctico (GIMCC), reafirma ainda que a luta por justiça climática integra a luta por justiça em suas diversas esferas. “Nós continuamos essa luta e vamos seguir para deixar para nossas filhas e nossas netas um mundo melhor. E nós só vamos conseguir isso exigindo justiça climática, justiça de gênero, justiça ambiental para todos os homens, mulheres e diversidades”, reforça Cúpula dos Povos Desde 1992, a Cúpula dos Povos é um grito de resistência e justiça por meio de um espaço autônomo onde as comunidades mais atingidas pela crise climática como os povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e moradores das periferias urbanas, somam forças para ecoar suas vozes e demandas. Em novembro de 2025, o Brasil receberá a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), nesse contexto, mais de 700 organizações, redes, coletivos se juntaram para construir um amplo processo de mobilização para que a COP no Brasil seja um ponto de virada nas discussões sobre a crise climática. Editado por: Rodrigo Durao Coelho REPRODUÇÃO DO JORNAL BRASIL DE FATO
Saiu na imprensa: Belém recebe ato público e reunião internacional da Cúpula dos Povos rumo à COP30.

Mais de 60 organizações do Brasil e do mundo estarão na cidade da COP30 para traçar estratégias de resistência global e exigir justiça climática Por Casa NINJA Amazônia De 30 de maio a 2 de junho, Belém do Pará, na Amazônia brasileira, será o centro de uma articulação global por justiça climática. A cidade sedia pela primeira vez o encontro presencial da Comissão Política da Cúpula dos Povos rumo à COP 30, reunindo mais de 60 organizações, redes e movimentos sociais do Brasil, da América Latina, África, Ásia e Europa. A agenda começa com um ato político no dia 30, às 16h, na Universidade Federal do Pará (UFPA), sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”. Com o lema “Todos os rios levam a Belém. É hora de ouvir as vozes dos territórios. Não há futuro sem nós”, o ato será um chamado internacional à ação e à denúncia contra o racismo ambiental, as falsas soluções e o colapso climático que avança sobre os territórios e corpos mais vulnerabilizados. A mobilização ocorre em um cenário crítico para o planeta. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente já registrado, com uma temperatura média global de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. Este aumento representa um marco preocupante, pois ultrapassa pela primeira vez o limite de 1,5°C estabelecido como meta no Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Enquanto isso, as Conferências da ONU (COPs) falham em garantir financiamento climático real para os países mais impactados. A COP 29, realizada em Baku, aprovou um financiamento muito abaixo do necessário e abriu espaço para empréstimos que podem endividar ainda mais o Sul Global. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em janeiro de 2025 para retirar o país do Acordo de Paris pela segunda vez, reforçando o isolamento dos EUA nas iniciativas globais contra as mudanças climáticas. No Brasil, a tragédia climática no Rio Grande do Sul, com mais de 160 mortes por enchentes em 2024, evidencia a ausência de políticas públicas de adaptação. Além disso, o recente avanço do Projeto de Lei 364/19 no Congresso brasileiro ameaça povos indígenas, flexibiliza licenciamentos ambientais e abre ainda mais espaço para o agronegócio e o garimpo ilegal. Na América Latina, África e Ásia, cresce o número de projetos que, sob o discurso de “transição verde”, expulsam comunidades tradicionais de seus territórios em nome da compensação de carbono e da bioeconomia de mercado. A violência contra defensoras e defensores ambientais também aumenta: em 2023, foram 177 assassinatos de ativistas ambientais no mundo, 88 deles na América Latina, segundo a Global Witness. Denúncias das Periferias Escancararão Contradições da COP30 O Ato Político na UFPA se propõe não apenas como um momento simbólico, mas como um espaço concreto de denúncia das falsas soluções apresentadas nos fóruns oficiais da COP30. Lideranças de diversos territórios estarão presentes para mostrar que as respostas reais à crise climática já estão sendo construídas nas periferias urbanas, nas comunidades tradicionais e nos quilombos — e que ignorar essas soluções é perpetuar os problemas. A Cúpula se afirma, assim, como um contraponto popular e legítimo à narrativa institucional que privilegia grandes obras e interesses econômicos em detrimento das vidas nos territórios. Entre os casos que serão denunciados no ato estão os das comunidades da Vila da Barca e do território quilombola do Abacatal, que ilustram com clareza o que movimentos sociais e ambientais têm chamado de racismo ambiental: decisões tomadas sem consulta, que deslocam os impactos negativos para populações negras, periféricas e vulnerabilizadas, enquanto se promove uma imagem “verde” voltada ao exterior. Vila da Barca: Racismo Ambiental em Nome da Revitalização Na Vila da Barca, uma das maiores comunidades de palafitas da Amazônia, os moradores têm convivido com os impactos diretos das obras da Nova Doca — um dos projetos de infraestrutura urbana vinculados à preparação de Belém para sediar a COP30. Entulhos e esgoto oriundos de bairros nobres vêm sendo despejados próximos à comunidade, sem diálogo ou qualquer processo de consulta. O que é apresentado como revitalização tem significado, na prática, degradação ambiental, remoções e violação de direitos. “É racismo ambiental, sim, porque só despejam o que não presta nos lugares onde moramos”, afirma Suane Barreirinhas, educadora popular e liderança comunitária. Essa realidade será levada ao ato como exemplo do abismo entre o discurso de sustentabilidade promovido internacionalmente e as ações concretas implementadas nas cidades amazônicas. Quilombo Abacatal: A Estrada Que Ameaça um Território Quilombola Também será denunciado no ato o caso do quilombo Abacatal, localizado em Ananindeua, que será diretamente impactado pela construção da Avenida Liberdade — uma rodovia de 14 km planejada para “melhorar a mobilidade urbana” na região metropolitana de Belém. A estrada cortará áreas do território quilombola, comprometendo fontes de água, espaços de produção agrícola e locais de valor histórico e espiritual para a comunidade. Mesmo com a elaboração de um Estudo do Componente Quilombola (ECQ), que apontou que 100% dos moradores são contrários à obra, o governo do Pará seguiu com o projeto sem cumprir a Convenção 169 da OIT, que exige consulta prévia, livre e informada. A denúncia da violação de direitos será um dos pontos centrais trazidos pelas lideranças quilombolas à Cúpula. Os Territórios Apresentarão Soluções Reais As experiências e denúncias que serão compartilhadas durante o ato reforçarão o propósito da Cúpula: desmascarar as soluções de mercado apresentadas como sustentáveis e afirmar as práticas ancestrais, comunitárias e populares como caminhos concretos e viáveis para enfrentar a crise climática com justiça social. As soluções já estão sendo construídas nos territórios — em forma de agroecologia, reflorestamento comunitário, gestão popular da água, economia solidária, saberes indígenas e quilombolas. Tornar essas vozes protagonistas é o que dará legitimidade às transformações que a Amazônia e o mundo precisam. Da Amazônia para o mundo: os povos têm as soluções A Cúpula dos Povos propõe uma agenda enraizada nos territórios, conectando as lutas por justiça climática com bandeiras históricas: reforma agrária, agroecologia, soberania alimentar, transição energética justa,
Saiu na imprensa: Futuro Possível | Ato por justiça climática ocorre nesta terça-feira (4) no centro do Rio de Janeiro

Mobilização é organizada pela Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 que ocorre de 12 a 16 de novembro em Belém (PA) Nesta terça-feira (4), movimentos sociais, artistas e representantes de organizações internacionais, realizarão um ato simbólico para dar visibilidade às lutas por justiça climática, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, a partir das 17h. A organização da atividade é da Cúpula dos Povos Rumo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que ocorre em novembro na cidade de Belém, no Pará. “Nosso ato é para reverberar nossas pautas sobre o avanço das mudanças climáticas. Estamos sentindo na pele as modificações do clima. Os projetos desenvolvimentistas avançam com a exploração predatória dos nossos bens naturais, e essa exploração tem acarretado consequências desastrosas para nós, principalmente para os povos do Sul Global. A seca na Amazônia e as enchentes no Sul do Brasil são exemplos reais da aceleração das mudanças climáticas”, explica Izabely Miranda, da direção nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), uma das organizações responsáveis pela Cúpula ao Brasil de Fato. A mobilização da Cúpula dos Povos retoma o histórico brasileiro de receber grandes encontros nacionais com processos de organização protagonizados pela sociedade civil, como a Rio 92 e a Rio+20. Além do ato, a Cúpula dos Povos está realizando uma série de reuniões ao longo desta semana com a presença de representantes de países da África, Ásia, América e Europa. Segundo os organizadores, o encontro tem como objetivo principal traçar uma estratégia coletiva de mobilização para fortalecer a incidência global nas negociações climáticas, construir o caminho e calendário ao longo dos próximos 10 meses de ações conjuntas para fortalecer a incidência sob as metas e resultados da Conferência e engajar populações locais, povos indígenas, comunidades originarias e tradicionais, atingidos por eventos climáticos extremos nesse processo. “É urgente que as grandes multinacionais, responsáveis por diversos crimes socioambientais, sejam responsabilizadas. Se elas não pararem, chegaremos ao ponto de não retorno. É fundamental priorizar a pauta climática”, ressalta Miranda. Serviço: Ato por Justiça Climática Onde: Cinelândia, centro do Rio de Janeiro Data: Terça-feira (4) de fevereiro Horário: 17h Editado por: Jaqueline Deister Reproduzido do portal do Brasil de Fato. Clique AQUI.
