Cúpula dos Povos e Grito dos Excluídos firmam aliança para fortalecer mobilização popular rumo à COP30

A Cúpula dos Povos Rumo à COP30 e o Grito dos Excluídos estão unindo forças para fortalecer a mobilização popular que marcará tanto o 7 de setembro, em todo o Brasil, quanto o 15 de novembro, nas ruas de Belém e de cidades de vários países que preparam o dia de Ação Global. Em reunião realizada com a anuência do padre Ari Alberti e com as presenças do padre José Carlos, do Grito de Salvador, e de Margareth Pinheiro Gondim, do Grito de Marabá, no Pará, foi estabelecida uma aliança de apoio mútuo entre as duas iniciativas, reconhecendo que suas lutas convergem na defesa dos povos, dos territórios e da democracia. Desde 1995, o Grito dos Excluídos denuncia as contradições de um modelo que concentra riquezas e multiplica desigualdades, levantando a bandeira de que “vida em primeiro lugar” é o verdadeiro princípio para uma sociedade justa. Essa trajetória se encontra agora com a construção da Cúpula dos Povos, que em sua carta política denuncia o racismo ambiental, o poder corporativo e as falsas soluções, ao mesmo tempo em que afirma a centralidade da justiça climática e da soberania dos povos na resposta à crise planetária. A aliança entre o Grito e a Cúpula pretende ecoar essas vozes nas ruas e também nos espaços formais de construção política. As escutas territoriais promovidas pelo Grito, com as demandas das comunidades excluídas e dos trabalhadores e trabalhadoras, serão incorporadas ao processo de formulação dos eixos de convergência da Cúpula dos Povos. Esses eixos têm sido debatidos nos últimos meses como parte do processo de construção da Cúpula, serão consolidados nas plenárias de novembro e servirão de base para a elaboração da carta final a ser apresentada aos tomadores de decisão da COP30. Assim, as reivindicações históricas que mobilizam o Grito se somam à agenda da justiça climática, ampliando o alcance das vozes populares no maior espaço de negociação global sobre o futuro do planeta. Os organizadores da Cúpula dos Povos e do Grito consideram a união das mobilizações um passo decisivo na construção de um processo democrático e plural rumo à COP30. O Grito é considerado um espaço de resistência e de pedagogia popular fundamental no Brasil e sua integração à Cúpula significa reforçar que não há justiça climática sem justiça social, sem enfrentar as exclusões que atravessam nossa história. As duas mobilizações convocam movimentos sociais, coletivos, pastorais e organizações populares de todo o país a se somarem ao processo, a contribuírem com propostas da Cúpula dos Povos e participarem das ações de rua. Ao lado do Grito dos Excluídos, a Cúpula dos Povos reforça seu chamado: é tempo de ocupar as ruas e garantir que as vozes dos territórios e das periferias estejam no centro das decisões da Conferência do Clima. Marcha nas cidades – Em reunião realizada na quinta-feira, 29, em Belém, representantes da Comissão Política e do Comitê Local da Cúpula definiram detalhes da marcha que será realizada no dia 7 de setembro na capital sede da COP30. São esperadas cerca de 400 pessoas mobilizadas pelas pastorais sociais, movimentos sociais e centrais de trabalhadores.
SUBCOP da Câmara Federal e movimentos sociais reforçam em Belém: COP30 não é salão de festa e só com participação popular haverá mudança.

Em visita à capital paraense, a Subcomissão da Câmara dos Deputados para a COP30 (SUBCOP) se reuniu com representantes da Cúpula dos Povos e de movimentos sociais para debater a importância da participação popular na conferência climática que o Brasil sediará em novembro, em Belém. O encontro foi marcado pela defesa de maior estrutura para a sociedade civil e pelo reconhecimento de que não há justiça climática sem a voz dos povos da Amazônia. A deputada federal Duda Salabert (PDT/MG], presidente da SUBCOP, destacou que o Brasil tem a chance de transformar o significado da conferência das Nações Unidas sobre o clima. “Uma grande preocupação da COP no Brasil e das últimas COP é como ampliar a participação popular. Tenho certeza de que essa COP no Brasil vai ressignificar o que é uma COP. Com a Cúpula dos Povos vamos poder organizar grandes mobilizações. Não há justiça climática sem participação popular. Nosso papel é articular pontes entre o parlamento, movimentos sociais e o poder executivo”, afirmou. Ela reforçou que a comissão vai cobrar do governo federal e estadual melhores condições de recepção aos movimentos sociais e espaços reais de incidência nas decisões. O deputado Bandeira de Mello (PSB-RJ) também chamou atenção para as dificuldades práticas que ainda não foram resolvidas em Belém. “Estou vendo que a COP ainda tem uma questão de sobrevivência. Depois do almoço com o governador, o assunto começou a ser falado, mas acabou mudando de ato. Não é só a questão da hospedagem”, afirmou, sinalizando que problemas estruturais como transporte, logística e acolhimento de delegações e movimentos sociais ainda precisam de soluções urgentes. Para Bruna Balbi, representante da Terra de Direitos, a história mostra que os maiores avanços nas negociações climáticas se deram quando a sociedade esteve mobilizada. “Com participação popular, as pautas avançam. A última COP em que tivemos um grande avanço foi a do Acordo de Paris, e isso só aconteceu porque havia um caldo forte de mobilização social. O texto aprovado foi muito importante e até hoje é referência, mas não conseguimos concretizar as palavras que ficaram no Acordo. Por isso, precisamos avançar para além dele”, avaliou. Balbi destacou que a COP30 tem o desafio de ser a conferência da implementação. “O governo federal acerta quando afirma que esta precisa ser a COP da implementação. É o momento de uma virada paradigmática. Os movimentos sociais já vêm discutindo essa necessidade há anos, antes mesmo de muitos governos perceberem, e agora é a hora de dar esse passo”, completou. Já Júlia Martins, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), reforçou que a Cúpula dos Povos não pode ser tratada como um espaço secundário ou meramente simbólico. “Esse espaço não pode ser visto apenas como um salão de festa. Ele precisa ser considerado como um espaço sagrado, porque a natureza para a gente é sagrada também. Evento climático não é só reunião de ONGs ou de empresas para negociarem seus próximos lucros, mas um espaço para dizer qual é a saída do povo para a vida. É defesa da democracia”, afirmou. A militante também alertou para os riscos políticos em torno do processo. “Evento climático é a oportunidade de afirmar que ditaduras e processos fascistas, que não estão longe de nós, podem tentar tomar o poder se houver descuido. Por isso, precisamos garantir que esse espaço seja ocupado pela sociedade, com força e responsabilidade”, acrescentou. A deputada Isa Arruda (MDB) lembrou a relevância de a COP acontecer na Amazônia, palco das principais disputas socioambientais do planeta. “Aqui a gente tem a floresta, os rios e o povo. É muito importante que esse encontro traga um documento final que defenda o meio ambiente e a sustentabilidade, incluindo de forma central a pauta das mulheres”, declarou. A reunião foi considerada produtiva tanto por parlamentares quanto pelos representantes da Cúpula dos Povos, que veem no processo da COP30 uma oportunidade histórica de colocar a Amazônia e seus povos no centro das decisões globais sobre o clima.
Saiu na imprensa: SOCIEDADE CIVIL – Presidente da COP30 promete ir à Cúpula dos Povos e levar declaração dos movimentos à Conferência

Movimentos populares articulam entrega de propostas e cobram participação efetiva na conferência do clima 12.ago.2025 às 18h00 São Paulo (SP) Redação Em julho, o ato “Mutirão dos Povos” em frente ao Centro de Convenções de Belém, exigiu participação popular na COP30 – João Paulo Guimarães O presidente da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, confirmou que participará da Cúpula dos Povos no dia 16 de novembro, data de encerramento do encontro que reunirá milhares de representantes de movimentos, redes e organizações populares em Belém. O compromisso inclui a leitura, na plenária oficial da conferência, da Declaração dos Povos – documento que consolidará diretrizes e ações consideradas essenciais pelos movimentos para enfrentar a crise climática. A confirmação ocorreu durante reunião, nesta segunda-feira (11), entre a Comissão Política da Cúpula e representantes da COP30. O encontro contou com a presença de Lago, da diretora executiva da conferência, Ana Toni, e de lideranças de organizações nacionais e internacionais, como a Via Campesina, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), o Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos, a Global Campaign to Demand Climate Justice, a Friends of the Earth International e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e a diretora executiva, Ana Toni, durante reunião com a Comissão Política da Cúpula dos Povos (Foto: Divulgação/Cúpula dos Povos) O presidente da COP30 reconheceu a Cúpula como espaço legítimo de articulação dos movimentos populares e defendeu que as propostas discutidas sejam incorporadas à agenda oficial. Ele sugeriu ampliar a integração com a agenda de ação e com os canais de diálogo da conferência, de forma a incluir o acúmulo de debates e experiências do evento paralelo. Além da entrega da declaração, as organizações apresentaram demandas relacionadas à participação efetiva de suas lideranças nos espaços oficiais, incluindo a distribuição de credenciais para entidades de base. Também pediram garantias para a livre manifestação durante a conferência, especialmente para atos em solidariedade ao povo palestino, que em outras edições foram alvo de restrições. A Declaração dos Povos será construída a partir de seis eixos temáticos que incluem transição justa, combate ao racismo ambiental, defesa das cidades e periferias vivas, soberania alimentar e popular, além do feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A Cúpula dos Povos será realizada de 12 a 16 de novembro no campus da Universidade Federal do Pará, em paralelo à COP30, marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro. Editado por: Thalita Pires REPRODUÇÃO DO JORNAL BRASIL DE FATO. CLIQUE AQUI.
Presidente da COP30 confirma presença na Cúpula dos Povos e leitura de Declaração dos Povos na Conferência.

Compromisso assumido em reunião abrange apoio para livre manifestação, incluindo solidariedade à Palestina e aproximação da Cúpula dos Povos Belém (PA) – O presidente da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, confirmou que participará da Cúpula dos Povos no dia 16 de novembro, data de encerramento do encontro que reunirá milhares de representantes de movimentos, redes e organizações sociais de todo o mundo em Belém. As organizações encaram a presença como um avanço nas negociações políticas pelo reconhecimento dos movimentos sociais nas decisões da agenda política sobre o clima. André Lago e a diretora executiva da COP 30, Ana Toni, tiveram uma reunião com representantes do Comitê Político da Cúpula na tarde desta segunda-feira, 11. Presencialmente, estavam Maureen Santos (Fase), Doris Vasconcelos (Rede Eclesial Pan Amazônica – Repam), Gisele Barbieri (Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos). Virtualmente, participaram Rachitaa Gupta (Global Campaign to Demand Climate Justice – DCJ), Lise Masson (Friends of the Earth International), Francisco Kelvim (Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB) e Miguel Izaga (Via Campesina). “Considerando que a Cúpula não é uma construção apenas local, territorial, nem nacional, mas amplamente global envolvendo vários continentes, esse espaço de reconhecimento e de participação junto ao evento oficial da COP 30, queremos ver como vocês estão vendo, sentindo e percebendo a Cúpula dos Povos nesse momento tão importante para o país e para o planeta”, pontuou Doris ao introduzir as demandas. Durante a reunião, Lago reconheceu a importância da Cúpula enquanto espaço legítimo dos movimentos sociais e defendeu que as demandas da sociedade civil devem estar conectadas ao processo oficial da conferência climática. Ele convidou à maior integração com a agenda de ação e com os enviados, canais que podem incorporar os debates acumulados pela Cúpula. Ao responder sobre a sua participação em audiência da Cúpula programada para o dia 16 de novembro a entrega da Declaração da Cúpula dos Povos em espaço oficial _o documento consolidará diretrizes e ações consideradas imprescindíveis para enfrentar a crise climática_, ele foi categórico em confirmar. “Tenho o maior prazer em receber a declaração dos povos dia 16. Ter a leitura na plenária oficial seria mais do que natural. Incluir as questões que vocês discutiram, acho que a gente tem que incorporar na agenda de ação. Sou absolutamente favorável. Temos que apoiar”, disse. Quanto à demanda apresentada pelo Comitê, por credenciais para representantes de movimentos sociais, ele disse que a distribuição desses passaportes é mais difícil. Maureen Santos pontuou que muitas organizações da sociedade civil já possuem as suas por atuarem como observadoras, mas entidades de base, não. Rachitaa reforçou a importância de se garantir a participação para além de grupos que estão sendo contemplados, como os indígenas. “É importante que essas badges sejam distribuídas entre lideranças”, defendeu. Além do diálogo sobre a agenda climática, o presidente da COP30 também foi provocado por Rachitaa a garantir que as ações de solidariedade à Palestina aconteçam livremente, uma vez que em Bonn, Alemanha, o secretariado da UNFCCC impediu atos no espaço oficial. Lago se comprometeu a tratar de pautas relacionadas a direitos humanos e liberdade de expressão dentro dos espaços oficiais da conferência, incluindo manifestações em solidariedade à Palestina. “Como brasileiro, apoio a Palestina. Nesse estágio, é inacreditável o que está acontecendo na Palestina. Tenho que checar e se tiver autoridade para fazer algo, farei”, disse após explicar que a sociedade civil enfrenta restrições para se manifestar nas conferências da ONU e que é fundamental garantir que vozes históricas, como as que defendem o povo palestino, tenham espaço e sejam ouvidas. Declaração dos Povos – o documento que será entregue a Lago no dia 16, reunirá propostas construídas a partir de seis eixos temáticos que abrangem temas como a transição justa e combate ao racismo ambiental, a defesa das cidades e periferias vivas, a soberania alimentar e popular, além do feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A Cúpula dos Povos acontecerá de 12 a 16 de novembro no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), constituindo o maior espaço autônomo e crítico da sociedade civil global, em paralelo à COP30, que será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém. Como processo, está sendo organizado como parte de um processo que não terminará em 2025. “A gente tem feito uma construção de processo porque a ideia é que a gente não pare em Belém, mas essa Cúpula sirva como um espaço para a sociedade civil global enraizar, construir alianças políticas, convergências em cima de temas que são essenciais”, explicou Maureen.
Saiu na imprensa: COP30 – Cúpula dos Povos luta por justiça climática

Movimentos sociais e comunidades tradicionais organizam espaço paralelo à Conferência Mundial do Clima na Amazônia Jesuan Xavier 11 de junho de 2025 Com os olhos do mundo voltados para Belém (PA), sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), a COP30, que acontecerá em novembro de 2025, movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e populações urbanas periféricas se organizam para romper a barreira das negociações oficiais e terem mais protagonismo no principal encontro internacional sobre a crise climática global. Desde 2023, os líderes dos chamados “excluídos” se reúnem periodicamente e organizam um espaço que funcionará no mesmo local e paralelamente à COP30, também entre os dias 12 a 16 de novembro: a “Cúpula dos Povos pela Justiça Climática”. A expectativa da organização é reunir cerca de 20 mil pessoas nesse ambiente, que contará com uma programação política, cultural e espiritual. O ponto alto será no dia 15, com uma grande mobilização internacional prevista para ecoar as vozes dos territórios. Em fevereiro de 2025, lideranças sociais e ambientais de 16 países, como França, Filipinas, Quênia, África do Sul, Togo e Equador, reuniram-se no Rio de Janeiro em uma série de encontros preparatórios. O objetivo foi avançar na construção de uma agenda que reflita as realidades do campo, das florestas e das periferias do planeta. À Radis, Araê Cupim, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e membro da comissão política da Cúpula, afirma que o evento paralelo “é sim um espaço de resistência, mas também de proposições. Uma resposta à exclusão sistemática das populações mais afetadas pelas mudanças climáticas”. Ele entende a importância da COP, mas não poupa críticas à sua estrutura e modelo. “A COP não é feita por nós, e nem para nós. As negociações estão mais preocupadas em viabilizar o mercado de carbono do que em escutar os verdadeiros afetados pela crise climática”, diz. “A COP não é feita por nós, e nem para nós. As negociações estão mais preocupadas em viabilizar o mercado de carbono do que em escutar os verdadeiros afetados pela crise climática” Araê Cupim Marcha durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília (10/4), defendeu a participação dos povos indígenas na COP30 — Foto: Juliana Duarte Injustiças climáticas Em agosto de 2024, cerca de 600 organizações assinaram e divulgaram a Carta Política da Cúpula dos Povos (https://cupuladospovoscop30.org/manifesto/). “Soluções reais são urgentes e a sociedade civil de todo o mundo deve ser protagonista em todos os espaços de debate desta agenda. A COP30 precisa representar um ponto de virada neste cenário, e endereçar as ações necessárias para o enfrentamento da crise climática”, cobra o documento. Não é a primeira vez que os organizadores da COP enfrentam um espaço paralelo de resistência e reivindicações. Houve iniciativas semelhantes já na Rio+20 (2012). A Cúpula dos Povos tem se consolidado como um espaço alternativo de crítica e proposição, presente em quase todas as edições das Conferências Mundiais do Clima. Em novembro, os representantes dos movimentos sociais e das populações tradicionais irão discutir uma proposta que enfrente os problemas climáticos com justiça, centrado na realidade dos territórios, na soberania popular e no bem viver. A partir de inúmeros debates, reuniões e plenárias, que acontecem há dois anos, foram definidos quatro eixos de trabalho: água, território e soberania dos povos; justiça climática; transição justa, popular e inclusiva; juventudes, crianças, adolescentes, mulheres e diversidades LGBTQIAPN+ no centro das decisões. Neste momento, a Cúpula dos Povos tem como objetivo pressionar e convencer o governo brasileiro a liderar a proposição de metas mais ousadas para a redução da temperatura global. Desde que foi lançada, no final de 2024, a Carta Política foi entregue ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à Secretaria Nacional Operativa da COP30 (Secop) e aos representantes do Executivo e parlamentares (deputados e senadores). As propostas incluem reformas agrária e urbana, incentivos à economia solidária e proteção às populações tradicionais, além do combate ao racismo ambiental e estrutural. “O clima extremo, as secas, as cheias, os deslizamentos de terras e as falsas soluções climáticas servem como instrumento de aprofundamento da desigualdade e das injustiças ambientais e climáticas, principalmente nos territórios, e atingem de forma cruel aqueles e aquelas que menos contribuíram para a crise climática, ecológica e civilizatória”, diz o documento. Indígenas reunidos no ATL apontam que a demarcação de terras e o protagonismo das populações tradicionais deve ser prioridade nos debates sobre clima e meio ambiente — Fotos: Juliana Duarte Viver sem destruir A Cúpula defende ainda uma política de desmatamento zero e uma maior responsabilização das grandes corporações. Araê tem uma preocupação a mais em relação ao atual debate sobre “transição energética justa”. Para ele, esse termo apenas mascara uma continuidade da lógica extrativista. “Não acreditamos nessa transição colocada. Ela não muda a forma de explorar a natureza, apenas a intensifica. O que está em jogo é justificar o acúmulo e a expansão do capitalismo com novos recursos minerais”, destaca. Outro integrante da organização da Cúpula, Eduardo Soares, secretário de Articulação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), destaca à Radis que representantes das comunidades religiosas também participarão ativamente do evento. Ele faz parte do Tapiri Inter-religioso, que reúne igrejas, organizações ecumênicas, povos de terreiros, espiritualidades indígenas, expressões diversas de tradições de fé presentes no Brasil. “É uma articulação ecumênica que também se fará presente na Cúpula dos Povos. Iremos discutir o fundamentalismo religioso e a defesa da liberdade de expressão e de culto.” Eduardo acredita que será uma oportunidade única para mostrar ao mundo que é possível viver sem destruir. “Nossa espiritualidade, nosso modo de viver, nossa relação com a floresta, com o rio, com os outros seres vivos, tudo isso é parte de uma ecologia integral. Não se trata só de reduzir carbono, mas de mudar a lógica que destrói”, afirma. Para ele, a Cúpula dos Povos é a expressão da resistência dos territórios frente às falsas soluções do mercado. “É um espaço onde a vida real, que pulsa nas comunidades, ganha voz e propõe caminhos”, pontua. Participação real
Saiu na imprensa: Povos tradicionais do Brasil e exterior cobram protagonismo na COP30 e na luta contra mudanças climáticas.

Povos tradicionais do Brasil e exterior cobram protagonismo na COP30 e na luta contra mudanças climáticas Mais de 70 organizações se reúnem em Belém para reafirmar protagonismos dos povos da Amazônia 31.maio.2025 às 15h03 Atualizado em 24.jun.2025 às 14h11 Belém (Pará) Mariana Castro Mais de 70 organizações se reúnem em Belém para reafirmar protagonismos dos povos da Amazônia – Foto Caetano Scannavino Na sexta-feira (30), representantes de mais de 70 movimentos populares, organizações e povos tradicionais de 13 países se reuniram em ato político realizado em Belém, onde foi anunciado oficialmente que a Universidade Federal do Pará será o palco central das discussões da Cúpula dos Povos durante a COP30. O evento reforça a exigência de que os povos da Amazônia sejam os verdadeiros protagonistas da luta climática, a partir da escuta, do diálogo e proposição de políticas públicas, considerando a vivência e os saberes tradicionais. Sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”, os povos da América Latina, África, Ásia e Europa proclamam: não há solução para a crise climática que não parta e envolva os povos originários e tradicionais. Representando os povos indígenas do Brasil, Auricélia Arapiun, liderança indígena do Baixo Tapajós (PA) que compõe a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) participou do ato. “A resposta somos nós, que estamos há muito tempo dizendo que temos a solução. Se eles tivessem a solução, nós não estaríamos a caminho do fim do mundo, como estamos hoje. Muito pelo contrário, a cada COP a situação só piora porque nós não estamos lá dentro, não somos ouvidos e nem seremos”, destaca Auricélia. Durante sua fala, Auricélia pontuou fortemente atos de retrocesso por parte do Congresso Nacional, a exemplo da aprovação do Projeto de Lei 2159/2021, popularmente conhecido como PL da Devastação, que estabelece um novo marco para o licenciamento ambiental no Brasil em detrimento dos direitos dos povos tradicionais. “Que COP30 queremos para o Brasil se o Congresso Nacional está atacando nossos territórios, está atacando o meio ambiente, se tem o PL da devastação, da destruição dos nossos territórios? Se aprovaram o PL de retrocesso demarcação das terras indígenas? Não é possível que estamos caminhando para esse ponto, ao mesmo tempo em que o Brasil e o governo do Pará se colocam como líderes de enfrentamento à crise climática”, denuncia Auricélia. O lançamento do território da Cúpula dos Povos demarca o espaço público UFPA para reafirmar as práticas ancestrais, comunitárias e populares como caminhos concretos e viáveis para enfrentar a crise climática com justiça social. “Essa Cúpula tem o papel fundamental de popularizar, de envolver o povo, de colocar o povo no centro dos debates, se apropriando do debate do clima e propondo, a partir da sua prática concreta e real, a transformação desse mundo que pertence a todos. E nós estamos dizendo que é necessária a participação popular que a COP, a Cúpula e o governo brasileiro demonstrem, de fato, um compromisso pela mudança”, explica Pablo Neri, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Cúpula dos Povos vai além da COP30 O ato compõe uma agenda de quatro dias que marcam a consolidação de estratégias coletivas para o evento principal em novembro, quando a Cúpula espera reunir cerca de 15 mil pessoas em Belém para uma ampla programação, que prevê a participação de mais de 700 organizações e redes sociais. No entanto, as organizações reforçam que a COP30 não encerra a construção coletiva da Cúpula dos Povos, que vai além de calendários pré-determinados e tende a ser um espaço para a garantia do diálogo e luta permanente e internacionalista em defesa da Amazônia, dos povos e territórios. Compondo a comitiva internacionalista do encontro, Sophie Ogutu, queniana de Nairóbi e integrante do Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres reforça a importância desse espaço destinado aos povos. “As soluções para o mundo nunca virão em uma canetada. Nós estamos aqui e nós temos as soluções. E estou muito grata por estar aqui na Universidade do Pará, nesse espaço que deram para a gente. E olha, lá no Quênia, todos falam que de todas as COPs, gostariam de estar nessa do Brasil, porque aqui temos voz, aqui vocês abrem espaço para todos”, garantiu Sophie. Com firmeza, Denisse Chavez traz o protagonismo feminino nas lutas por justiça climática. Foto: Thaigon Arapiun Do Peru, a ativista e feminista Denisse Chavez, do grupo Mujeres y Cambio Climáctico (GIMCC), reafirma ainda que a luta por justiça climática integra a luta por justiça em suas diversas esferas. “Nós continuamos essa luta e vamos seguir para deixar para nossas filhas e nossas netas um mundo melhor. E nós só vamos conseguir isso exigindo justiça climática, justiça de gênero, justiça ambiental para todos os homens, mulheres e diversidades”, reforça Cúpula dos Povos Desde 1992, a Cúpula dos Povos é um grito de resistência e justiça por meio de um espaço autônomo onde as comunidades mais atingidas pela crise climática como os povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e moradores das periferias urbanas, somam forças para ecoar suas vozes e demandas. Em novembro de 2025, o Brasil receberá a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), nesse contexto, mais de 700 organizações, redes, coletivos se juntaram para construir um amplo processo de mobilização para que a COP no Brasil seja um ponto de virada nas discussões sobre a crise climática. Editado por: Rodrigo Durao Coelho REPRODUÇÃO DO JORNAL BRASIL DE FATO
Saiu na imprensa: Belém recebe ato público e reunião internacional da Cúpula dos Povos rumo à COP30.

Mais de 60 organizações do Brasil e do mundo estarão na cidade da COP30 para traçar estratégias de resistência global e exigir justiça climática Por Casa NINJA Amazônia De 30 de maio a 2 de junho, Belém do Pará, na Amazônia brasileira, será o centro de uma articulação global por justiça climática. A cidade sedia pela primeira vez o encontro presencial da Comissão Política da Cúpula dos Povos rumo à COP 30, reunindo mais de 60 organizações, redes e movimentos sociais do Brasil, da América Latina, África, Ásia e Europa. A agenda começa com um ato político no dia 30, às 16h, na Universidade Federal do Pará (UFPA), sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”. Com o lema “Todos os rios levam a Belém. É hora de ouvir as vozes dos territórios. Não há futuro sem nós”, o ato será um chamado internacional à ação e à denúncia contra o racismo ambiental, as falsas soluções e o colapso climático que avança sobre os territórios e corpos mais vulnerabilizados. A mobilização ocorre em um cenário crítico para o planeta. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente já registrado, com uma temperatura média global de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. Este aumento representa um marco preocupante, pois ultrapassa pela primeira vez o limite de 1,5°C estabelecido como meta no Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Enquanto isso, as Conferências da ONU (COPs) falham em garantir financiamento climático real para os países mais impactados. A COP 29, realizada em Baku, aprovou um financiamento muito abaixo do necessário e abriu espaço para empréstimos que podem endividar ainda mais o Sul Global. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em janeiro de 2025 para retirar o país do Acordo de Paris pela segunda vez, reforçando o isolamento dos EUA nas iniciativas globais contra as mudanças climáticas. No Brasil, a tragédia climática no Rio Grande do Sul, com mais de 160 mortes por enchentes em 2024, evidencia a ausência de políticas públicas de adaptação. Além disso, o recente avanço do Projeto de Lei 364/19 no Congresso brasileiro ameaça povos indígenas, flexibiliza licenciamentos ambientais e abre ainda mais espaço para o agronegócio e o garimpo ilegal. Na América Latina, África e Ásia, cresce o número de projetos que, sob o discurso de “transição verde”, expulsam comunidades tradicionais de seus territórios em nome da compensação de carbono e da bioeconomia de mercado. A violência contra defensoras e defensores ambientais também aumenta: em 2023, foram 177 assassinatos de ativistas ambientais no mundo, 88 deles na América Latina, segundo a Global Witness. Denúncias das Periferias Escancararão Contradições da COP30 O Ato Político na UFPA se propõe não apenas como um momento simbólico, mas como um espaço concreto de denúncia das falsas soluções apresentadas nos fóruns oficiais da COP30. Lideranças de diversos territórios estarão presentes para mostrar que as respostas reais à crise climática já estão sendo construídas nas periferias urbanas, nas comunidades tradicionais e nos quilombos — e que ignorar essas soluções é perpetuar os problemas. A Cúpula se afirma, assim, como um contraponto popular e legítimo à narrativa institucional que privilegia grandes obras e interesses econômicos em detrimento das vidas nos territórios. Entre os casos que serão denunciados no ato estão os das comunidades da Vila da Barca e do território quilombola do Abacatal, que ilustram com clareza o que movimentos sociais e ambientais têm chamado de racismo ambiental: decisões tomadas sem consulta, que deslocam os impactos negativos para populações negras, periféricas e vulnerabilizadas, enquanto se promove uma imagem “verde” voltada ao exterior. Vila da Barca: Racismo Ambiental em Nome da Revitalização Na Vila da Barca, uma das maiores comunidades de palafitas da Amazônia, os moradores têm convivido com os impactos diretos das obras da Nova Doca — um dos projetos de infraestrutura urbana vinculados à preparação de Belém para sediar a COP30. Entulhos e esgoto oriundos de bairros nobres vêm sendo despejados próximos à comunidade, sem diálogo ou qualquer processo de consulta. O que é apresentado como revitalização tem significado, na prática, degradação ambiental, remoções e violação de direitos. “É racismo ambiental, sim, porque só despejam o que não presta nos lugares onde moramos”, afirma Suane Barreirinhas, educadora popular e liderança comunitária. Essa realidade será levada ao ato como exemplo do abismo entre o discurso de sustentabilidade promovido internacionalmente e as ações concretas implementadas nas cidades amazônicas. Quilombo Abacatal: A Estrada Que Ameaça um Território Quilombola Também será denunciado no ato o caso do quilombo Abacatal, localizado em Ananindeua, que será diretamente impactado pela construção da Avenida Liberdade — uma rodovia de 14 km planejada para “melhorar a mobilidade urbana” na região metropolitana de Belém. A estrada cortará áreas do território quilombola, comprometendo fontes de água, espaços de produção agrícola e locais de valor histórico e espiritual para a comunidade. Mesmo com a elaboração de um Estudo do Componente Quilombola (ECQ), que apontou que 100% dos moradores são contrários à obra, o governo do Pará seguiu com o projeto sem cumprir a Convenção 169 da OIT, que exige consulta prévia, livre e informada. A denúncia da violação de direitos será um dos pontos centrais trazidos pelas lideranças quilombolas à Cúpula. Os Territórios Apresentarão Soluções Reais As experiências e denúncias que serão compartilhadas durante o ato reforçarão o propósito da Cúpula: desmascarar as soluções de mercado apresentadas como sustentáveis e afirmar as práticas ancestrais, comunitárias e populares como caminhos concretos e viáveis para enfrentar a crise climática com justiça social. As soluções já estão sendo construídas nos territórios — em forma de agroecologia, reflorestamento comunitário, gestão popular da água, economia solidária, saberes indígenas e quilombolas. Tornar essas vozes protagonistas é o que dará legitimidade às transformações que a Amazônia e o mundo precisam. Da Amazônia para o mundo: os povos têm as soluções A Cúpula dos Povos propõe uma agenda enraizada nos territórios, conectando as lutas por justiça climática com bandeiras históricas: reforma agrária, agroecologia, soberania alimentar, transição energética justa,
Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da REPAM participa de seminário na Câmara sobre rumos da COP30.

A Frente Parlamentar Mista Ambientalista, por meio do Grupo de Trabalho sobre Clima, promoveu na terça-feira (06/05) um seminário na Câmara dos Deputados para apresentar os aprendizados da última Conferência do Clima e discutir caminhos para a próxima – a COP30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA). O evento reuniu representantes do governo federal, parlamentares e diversas organizações da sociedade civil com o objetivo de reforçar a importância de uma participação mais ampla e efetiva nos processos preparatórios da conferência. Entre os participantes estavam o diplomata Pedro do Nascimento Filho, do Ministério das Relações Exteriores; Monique Ferreira, chefe de gabinete da presidência da COP30 no Ministério do Meio Ambiente; representantes da Coalizão Nacional de Juventudes pelo Clima (Conjuclima), do Instituto Alana, da Plataforma Cipó, da Rede Vozes Negras pelo Clima, além de parlamentares como Tarcísio Motta (Psol-RJ). Durante o seminário, Mayara Lima, comunicadora do projeto Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da REPAM rumo à COP30, destacou a necessidade de descentralizar o debate climático e garantir que a agenda da conferência chegue até a base das comunidades. Ela apresentou a cartilha ABC da COP, criada para facilitar o acesso à informação e fortalecer a atuação de territórios e populações tradicionais. “Não dá pra incidir sobre o que não se entende. Se a informação continua restrita a diplomatas e pequenos grupos, como os territórios vão construir caminhos de participação real?”, questionou. Mayara Lima também destacou as articulações que vêm sendo construídas pela sociedade civil para garantir participação efetiva nos debates climáticos, mesmo fora dos espaços oficiais da COP30. Ela citou iniciativas como a Cúpula dos Povos, a COP das Baixadas e a COP do Povo, que acontecerão paralelamente à conferência oficial em Belém. “Sabemos que a sociedade civil não conseguirá estar integralmente dentro da COP30, por isso esses espaços autônomos são caminhos fundamentais para ampliar a incidência e articular as vozes dos territórios de forma estratégica e organizada”, afirmou. Thalia Silva, coordenadora da Conjuclima, também cobrou mais espaço para a juventude nas negociações internacionais. “A COP29 mostrou que nós, enquanto juventude, não estamos pedindo um lugar à mesa. Agora, exigimos fazer parte das decisões e negociações”, afirmou. O seminário foi organizado pelas comissões de Legislação Participativa e de Meio Ambiente da Câmara, com apoio da Frente Parlamentar Ambientalista, a partir de requerimento dos deputados Ivan Valente (Psol-SP) e Talíria Petrone (Psol-RJ).
FASE se une a movimentos sociais na construção da Cúpula dos Povos Rumo à COP30. O encontro no Rio de Janeiro mobilizou organizações e a sociedade civil para traçar estratégias em âmbito nacional e internacional.

Paula Schitine 07/02/2025 15:53 A Cúpula dos Povos Rumo à COP30 esteve reunida durante toda a semana no Rio de Janeiro para ampliar as estratégias de mobilização nacionais e internacionais. O objetivo principal foi definir rumos da incidência internacional da Cúpula dos Povos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontecerá em Belém (PA) em novembro deste ano. A capital fluminense tem importância fundamental, pois já foi sede da Rio 92 e da Rio +20, conferências e espaços importantes da discussão da pauta ambiental, climática e social mundial. Na terça-feira (4), foi organizada a Mobilização dos Povos Pela Terra e Pelo Clima no Ato Político-Cultural realizado na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. Já nos dias 3 e 4, foi realizada a reunião do grupo operativo da Cúpula dos Povos, com a participação de representantes de movimentos da África, Ásia, América e Europa, que discutiram estratégias de incidência nas negociações climáticas rumo à COP30. Estavam presentes cerca de 500 representantes de movimentos sociais de diversas partes do mundo. Representando a FASE, participaram a diretora executiva, Letícia Tura; a coordenadora do Núcleo de Políticas e Alternativas (NuPA), Maureen Santos; e a coordenadora da FASE Amazônia, Sara Pereira. “Neste encontro, o destaque foi o entendimento de que não tem como promover justiça climática sem promover justiça social. Então, não se trata apenas de uma discussão ambiental ou sobre clima, é sobretudo, sobre a realidade dos povos”, afirma Sara Pereira. ”É importante que a população consiga compreender isso e se colocar nesse processo de luta para uma transição não apenas de matriz energética, mas da matriz econômica, um modelo que seja a partir das iniciativas dos povos das periferias das cidades, dos quilombos, do campo, das águas, da floresta, não só do Brasil, não só da Amazônia, mas de todos os continentes e de toda a sociedade civil do mundo”, resumiu a coordenadora da FASE Amazônia. A Cúpula dos Povos Rumo à COP30 é um processo de convergência entre organizações e movimentos de mulheres, sindicais, indígenas, agricultores/as familiares e camponeses, quilombolas, de povos e comunidades tradicionais, de povos tradicionais de matriz africana, negras e negros, juventudes, inter-religiosos, ambientalistas, trabalhadores/as, midialivristas, culturais, estudantes, de favelas e periferias, LGBTQIAPN+, de pessoas com deficiência, de direitos humanos, de defesa da infância, adolescência e intergeracional, das cidades, do campo, das florestas e das águas, rumo a realização da Cúpula dos Povos como espaço autônomo à COP 30. O espaço vem sendo organizado desde agosto de 2023 e conta com movimentos sociais e populares, coalizões, coletivos, redes e organizações da sociedade civil do Brasil. O objetivo é fortalecer a construção popular e convergir pautas de unidade das agendas: socioambiental, antipatriarcal, anticapitalista, anticolonialista, antirracista e de direitos, respeitando suas diversidades e especificidades, unidos por um futuro de bem-viver. A FASE é uma das organizações que constrói a Cúpula dos Povos a partir das redes em que atua, como a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), o Grupo Carta de Belém e o Fórum Social Pan-Amazônico, mas também está presente atuando na Amazônia há 30 anos junto a povos originários, comunidades tradicionais, ribeirinhos, povos do campo, da floresta, das águas e das cidades. *Comunicadora da FASE Publicado originalmente no portal da Fase AQUI
Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 será realizada de 12 a 16 de novembro. Calendário definido em reunião com internacionais intensificará agenda de mobilização para 2025.

A Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 se prepara para realizar suas atividades no período de 12 a 16 de novembro, em Belém (PA), cidade amazônica do Norte do Brasil, em paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O dia 15 será dedicado a uma ação de mobilização global. A expectativa é reunir cerca de 15 mil pessoas em um espaço autônomo que discutirá as medidas para conter a crise climática na perspectiva dos povos tradicionais, movimentos sociais e organizações com atuação histórica na convivência com os diversos biomas. Como parte da agenda de mobilização, a primeira semana de fevereiro foi dedicada à uma série de encontros e reuniões no Rio de Janeiro, com a presença de lideranças sociais e ambientais de 16 países, como França, Filipinas, Quênia, África do Sul, Togo e Equador. As agendas definiram rumos da incidência internacional, um calendário comum de discussões ao longo dos próximos meses e a construção da programação conjunta da Cúpula. “Conseguimos avançar bastante tanto na nossa organização quanto na discussão de nossas bandeiras prioritárias, na questão do campo, da floresta e na questão também da cidade, das periferias, que são quem sofrem com as consequências da mudança climática, e é a partir desses territórios que a gente quer construir uma saída para o nosso país e para o nosso planeta” explica Julia Nascimento, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Através da Cúpula dos Povos, o Brasil retoma o histórico de receber grandes encontros internacionais e de chefes de Estado como parte dos processos de mobilização protagonizados pela sociedade civil, como foram o Fórum Global durante a Eco 92, a Cúpula dos Povos durante e Rio+20 em 2012, os Fóruns Sociais e a Cúpula dos Povos Frente ao G20 em 2023. Cerca de 546 organizações brasileiras e de outros países já assinaram o Manifesto da Cúpula dos Povos. A expectativa é ampliar ainda mais a luta com a intensificação da articulação e das discussões nos próximos meses para fortalecer as pautas dos movimentos sociais e organizações que dialogam com as questões climáticas, além daquelas que são bandeiras históricas. Para Thuane Nascimento, a Thux, do Perifa Connection e Coalizão Negra por Direitos, a articulação será fundamental para impulsionar a atuação da sociedade civil a partir do Brasil. “A Cúpula vai ser um espaço muito importante para mobilizar a luta social no Brasil, a luta não só dos movimentos climáticos, mas a luta toda, por todo o povo brasileiro”, observa. “A Cúpula tem uma importância para todo o povo brasileiro. Primeiro que é popularizar um espaço que é tão afastado e elitizado no nosso dia-a-dia que é a COP e que não deveria ser desse jeito porque todas as temáticas que são debatidas dentro das Conferências das Partes para a Mudança Climática são temas que afetam o nosso dia-a-dia, seja no calor extremo, seja nas enchentes”, detalha. Para Eduardo Giesen, coordenador da Demanda Climate Justice (DCJ) para América Latina e Caribe, do Chile, a discussão deve estimular a unidade na busca de ações efetivas. “Muitas vezes, ficamos apenas na resistência frente o fascismo, frente às mudanças climáticas e frente as falsas soluções. Temos que ser capazes de entregar as ferramentas, dar demonstrações de unidade e convergência para a mudança possível”, defende. Diálogo com o governo federal Durante a agenda no Rio, um dos pontos discutidos foi o diálogo com o governo federal, que tem a tarefa de presidir e organizador a Conferência. “É muito importante que a gente sinalize para a governo federal, a comissão da COP 30 e a própria UNFCCC esse diálogo que nós queremos enquanto sociedade civil não só do Brasil mas do mundo. Uma participação efetiva”, explica Alana Manchineri, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB). Francisco Kelvim, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos (MAB), acrescenta que esse diálogo se dá na perspectiva de uma relação respeitosa, mas independente. “A Cúpula é um espaço autônomo, que surge da insurgência e de uma demanda por sermos ouvidos e considerados nas tomadas de decisão, não apenas sobre clima, e a principal forma de pressionar por isso é a partir da mobilização, essa será nossa aposta”, diz.
