Cúpula dos Povos entrega carta contundente ao presidente da COP30 e convoca o mundo a agir pela vida, pela solidariedade internacional e por Justiça Climática

Belém (PA), 16 de novembro de 2025 — A Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 encerrou hoje, 16, sua programação em Belém (PA) entregando ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, uma carta de grande densidade política, construída coletivamente por movimentos, organizações e redes que se articularam ao longo de meses de encontros preparatórios e de cinco dias intensos de debates, manifestações nas ruas e rios da cidade amazônica. O documento expressa a unidade de povos originários, comunidades tradicionais, quilombolas, pescadores e pescadoras, extrativistas, quebradeiras de coco babaçu, camponeses, trabalhadores e trabalhadoras urbanas, juventude, movimentos de mulheres, população LGBTQIAPN+, sindicatos, moradores das periferias e lutadores e lutadoras de todos os biomas. Segundo o texto, o processo coletivo afirma o compromisso de construir um mundo justo e democrático, baseado no bem viver e na força da diversidade. A carta denuncia que a crise climática se agrava com o avanço da extrema direita, do fascismo e das guerras, e afirma que os países do Norte global, as corporações transnacionais e as elites econômicas são os principais responsáveis pelas múltiplas crises ambientais e sociais. Há forte repúdio ao genocídio do povo palestino e solidariedade ativa a povos que resistem a projetos imperiais, à militarização e à violação de seus territórios. O texto também reafirma uma visão que coloca o trabalho de cuidado no centro da vida, reconhecendo o feminismo como parte essencial da resposta às crises. A sabedoria ancestral dos povos originários, a criatividade dos territórios e a força espiritual que orienta as lutas aparecem como fundamentos de soluções reais e enraizadas. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, recebeu a carta no momento em que conclui seu próprio ciclo de mensagens à sociedade brasileira e internacional, ressaltando a necessidade de que a COP não seja apenas um espaço de palavras, mas de ação concreta diante da emergência climática. Ele se comprometeu a encaminhar o documento nos espaços oficiais da Conferência do Clima. Entre as vozes que ecoam neste processo está a do cacique Raoni Metuktire, que, ao se manifestar durante a programação da Cúpula e da COP30, voltou a alertar que a vida na Terra depende da proteção da Amazônia e que a destruição da floresta compromete o futuro de toda a humanidade. “Mais uma vez, peço a todos que possamos dar continuidade a essa missão de poder defender a vida da Terra, do planeta. Eu quero que tenhamos essa continuidade de luta, para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal, que querem destruir a nossa terra”, disse Raoni. A Carta Final reforça o compromisso com o internacionalismo popular, a solidariedade entre territórios e a construção de um Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, crimes socioambientais e impactos da crise climática. Para os movimentos, somente a organização global dos povos poderá enfrentar as estruturas que alimentam desigualdades, violências e o colapso ambiental. A mensagem é clara. Quando a organização é forte, a luta é forte. É tempo de avançar com mais unidade e consciência para enfrentar o inimigo comum e defender a vida. Propostas apresentadas pela Cúpula dos Povos Enfrentar todas as falsas soluções de mercado e afirmar que ar, florestas, águas, terras, minérios e energia são bens comuns e não mercadorias. Garantir participação e protagonismo dos povos na construção das soluções climáticas, com reconhecimento pleno dos saberes ancestrais. Demarcar e proteger terras indígenas e territórios tradicionais e assegurar políticas de desmatamento zero, restauração ecológica e recuperação de áreas degradadas. Concretizar a reforma agrária popular e fortalecer a agroecologia como caminho para soberania alimentar e combate à fome. Enfrentar o racismo ambiental e construir cidades justas, com políticas de moradia, saneamento, regularização fundiária, transporte público digno e acesso à água e ao verde. Assegurar participação popular na formulação das políticas climáticas urbanas e barrar a mercantilização da vida nas cidades. Defender o fim das guerras e da militarização e destinar recursos hoje voltados ao setor bélico para reparação de regiões atingidas pela crise climática. Exigir reparação integral por perdas e danos causados por mineração, combustíveis fósseis, barragens e desastres ambientais, com responsabilização das empresas. Valorizar o trabalho de cuidado e reconhecer sua centralidade para sustentar a vida humana e não humana, garantindo autonomia e justiça feminista. Construir uma transição energética justa, popular e soberana, com proteção aos territórios e superação da pobreza energética. Defender o fim da exploração de combustíveis fósseis e criar mecanismos que impeçam sua expansão, especialmente na Amazônia e em ecossistemas sensíveis. Taxar grandes corporações e grandes fortunas e garantir financiamento público para a transição justa, responsabilizando os setores que mais lucram com a crise. Rejeitar modelos de financiamento climático que reforçam desigualdades e defender estruturas transparentes e democráticas que reconheçam a dívida socioambiental do Norte global. Fortalecer a proteção a defensores e defensoras de direitos humanos e ambientais e enfrentar a criminalização dos movimentos sociais. Criar instrumentos internacionais juridicamente vinculantes para responsabilizar empresas transnacionais por violações de direitos humanos e ambientais e implementar plenamente os direitos camponeses como pilar da governança climática. Confira a carta na íntegra AQUI
Grito da Cúpula das Infâncias ecoa na plenária final da Cúpula dos Povos por territórios livres e crianças protegidas

“Territórios livres; crianças protegidas”: o grito de ordem das infâncias da Amazônia tomou conta de toda a plenária final da Cúpula dos Povos, neste domingo, 16, em Belém. A manifestação abriu a participação das crianças na programação, que teve ainda a leitura e entrega da Carta das Infâncias a algumas das principais autoridades da COP-30: o embaixador André Correa do Lago, presidente da COP, Ana Toni, CEO da Conferência, Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral da Presidência, ente outras autoridades. Antes da entrega formal do documento, a comissão de crianças e adolescentes leu a carta às autoridades e a toda a plenária presente, emocionando e tirando aplausos de todos. A ministra Marina Silva foi uma das que se emocionou. “Enquanto essas crianças falavam, me veio a imagem de quem começou a trabalhar muito cedo, com 5 anos. Eu era magrinha. Com 10 anos começamos a cortar seringa. Tudo isso me faz refletir que, só na democracia, o seringueiro, o indígena podem chegar aonde chegamos”, disse ela, chamando toda a sociedade a se mobilizar pelo clima. “O combate às mudanças do clima precisa da mobilização de toda a sociedade. O entusiasmo e engajamento de vocês são fundamentais para que possamos seguir nessa luta”. Os adolescentes que subiram ao palco com as principais autoridades da COP-30, representaram 600 crianças que, após uma semana de intensas atividades e debates, aprovaram, ontem, a Carta das Infâncias. O documento expressa as percepções, dores, expectativas e reivindicações de cerca de 600 crianças e adolescentes, de 0 a 17 anos, que participaram do movimento. Durante cinco dias, crianças e adolescentes de diferentes territórios – ilhas, periferias urbanas, quilombos, terras indígenas, comunidades ribeirinhas e centros urbanos da Amazônia e de outras regiões do Brasil – compartilharam experiências sobre como as mudanças climáticas afetam diretamente suas vidas. Na carta, crianças e adolescentes pedem: “Cuidem do nosso planeta agora. Queremos continuar vivos e vivas”, enquanto relatam, em primeira pessoa, o impacto real do calor extremo, da fumaça das queimadas, da falta de árvores nas escolas, dos rios poluídos e do adoecimento provocado pela crise climática. Estiveram na plenária deste domingo adolescentes e crianças dos Comitês de Participação de Adolescentes (CPA) dos conselhos Estadual e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca e Conanda, respectivamente), além de crianças ribeirinhas dos projetos da Cáritas em Abatetuba e do Coletivo Tela Firme, de resistência urbana de Belém, entre outras. Mais de 120 organizações da área da infância participaram direta e indiretamente da Cúpula.
Cúpula dos Povos encerra com números recordes e entrega carta política à COP30. Foram 25 mil credenciados e lideranças de mais 65 países reafirmando a força da ancestralidade e da solidariedade internacional.

BELÉM, PA, 16 de Novembro de 2025 – A Cúpula dos Povos, que mobilizou a sociedade civil, movimentos sociais e povos tradicionais entre 12 e 16 de novembro, em Belém, encerrou suas atividades com um saldo de organização e conquistas políticas inéditas. Em um contraponto direto ao caráter de negociações privadas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o encontro popular celebrou a unidade global e o acúmulo de dois anos de construção política, reforçando que a resposta à crise climática brota dos territórios e não dos mercados. O encerramento foi marcado pela Audiência Pública realizada na manhã desta quinta-feira na Universidade Federal do Pará, onde a agenda política da Cúpula foi formalmente apresentada ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, consolidando um marco de diálogo entre o espaço popular e a cúpula oficial. Os números da participação e adesão à Cúpula dos Povos também deram uma dimensão histórica à mobilização. O balanço apresentado pela coordenação política aponta a adesão de mais de 1.100 organizações signatárias da Carta Política, a presença de lideranças e representantes de mais de 60 países e a participação de mais de 25 mil pessoas credenciadas, com uma circulação diária estimada em cerca de 20 mil pessoas no campus da UFPA. A força do encontro também se refletiu na ampla visibilidade pública, com a cobertura de mais de 300 veículos de imprensa nacionais e internacionais. Economia solidária e a cozinha recorde A Cúpula dos Povos também deixou um legado concreto de economia solidária e combate à fome, com destaque para a Cozinha Solidária. A iniciativa, construída coletivamente sob a coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPA), Movimento Camponês Popular (MCP), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e outras organizações serviu entre 9 mil e 12 mil refeições por dia. Essa logística de solidariedade se tornou a maior cozinha solidária já estruturada no Brasil e a maior compra pública do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para um evento em mais de 20 anos de história, demonstrando o potencial da agroecologia e da soberania alimentar. A Feira Popular também mostrou experiências vibrantes em economia solidária, agroecologia, povos de terreiro, economia feminista e modos de vida tradicionais. A força da ancestralidade e a unidade política O ato de encerramento foi carregado de simbolismo, com as lideranças destacando que é na ancestralidade e na tradição que se encontra a força para a luta. Mediadores, em referência à sabedoria de lideranças como o Cacique Raoni, enfatizaram que “a fé e a alegria lutam contra a morte e a tristeza”, ressaltando que os povos resistem porque celebram a vida. Diálogo com o Governo Federal A audiência pública marcou a oficialização da voz dos povos dentro do contexto da COP. A mesa de encerramento contou com a presença de importantes autoridades do governo federal, indicando o reconhecimento da agenda popular: Sônia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas; Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Guilherme Boulos, Ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Eles estiveram acompanhados por André Corrêa do Lago, presidente da COP30, Ana Toni, CEO da COP30, e Eutália Barbosa, secretária executiva do Ministério das Mulheres, além de representantes históricos dos movimentos sociais e membros da Comissão Política da Cúpula dos Povos como Joseph Antoine (Amigos da Terra Internacional), Denise Chaves (Iniciativa Mulheres Andino-Amazônidas), Sérgio da Silva Santos (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB), Melanie Lazon Eketiúdo Combo (La Via Campesina), Vera Paoloni (Central Única dos Trabalhadores – CUT) e Antônio Crioulo (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ). O encerramento reafirmou o compromisso de levar para a COP30 as demandas construídas coletivamente, reafirmando que a resposta para a crise climática nasce dos territórios, das organizações populares e dos povos que protegem a vida.
O CUSTO DA VIDA: Cúpula dos Povos exige fim do “neocolonialismo verde” e condiciona combate à crise climática à luta por terra e proteção a defensores

BELÉM, PA, 16 de Novembro de 2025 – Após cinco dias de intensa mobilização, a Cúpula dos Povos encerrou suas atividades com uma forte Coletiva de Imprensa, realizada logo após a entrega da Carta Política final ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago. O evento reuniu membros da Comissão Política da Cúpula, como Darcy Frigo, do Comitê Brasileiro Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos, Rachitaa Gulp, da Campanha para Demandar Justiça Climática – DCJ e Thuane Nascimento, do Perifa Connection, que consolidaram o posicionamento de que a luta climática é, inseparavelmente, uma luta anticapitalista e antirracista. A Cúpula dos Povos denunciou que o “clima de emergência está enraizado no colonialismo, no extrativismo, no racismo e no patriarcado”, condenando um sistema econômico que é desenhado para sacrificar as nossas vidas para o lucro de um outro alguém. Fim do neocolonialismo verde e crítica aos poluidores A articulação global manifestou repúdio às “falsas soluções de mercado” e ao que classificaram como “Neocolonialismo Verde”, alertando que a superação da crise climática é impossível sem enfrentar a questão central do “formato do acesso e do uso da terra e do território.” Os movimentos pressionaram diretamente os países ricos, criticando publicamente o Reino Unido, o Canadá, os Estados Unidos e nações Europeias por continuarem poluindo e comprometendo o futuro global. As demandas urgentes para a COP30 A Cúpula trouxe a verdade direto para a preparação deste processo de negociação, afirmando que a COP30 está em um momento crítico para aprovar a aplicação de fundos de perdas e danos, concluir a negociação sobre o fim dos combustíveis fósseis, criar um mecanismo efetivo de transição justa que garanta que a ação climática não resulte em um “documento vazio que protege os interesses dos poderosos”. Em contraponto às soluções de mercado, a Cúpula destacou a multiplicidade de propostas e soluções reais que já são implementadas pelos povos nas comunidades e que podem ser escalonáveis a níveis globais. Segurança de defensores: luta e perseguição O tema da violência contra ativistas e povos tradicionais ganhou destaque emocional na coletiva. Eduardo Lima, repórter e defensor dos direitos humanos, filho de camponeses com histórico de perdas familiares na luta pela terra, questionou o governo sobre as políticas de segurança. Ele citou a luta difícil em regiões como o Território Kayapó e o Maranhão, onde defensores e indígenas são assassinados. Darcy Frigo, do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, reforçou a demanda por proteção aos movimentos que são “penalizados e perseguidos”, exigindo que o combate à crise climática inclua a segurança essencial daqueles que protegem a Amazônia. O recado final da Cúpula dos Povos foi claro: a ação climática justa é inseparável da luta por equidade, direitos humanos e soberania territorial, e a verdadeira mudança não virá das negociações, mas da força popular unificada.
Cúpula das Infâncias encerra atividades com aprovação histórica da Carta das Infâncias, elaborada e votada por crianças e adolescentes

Belém (PA), 15 de novembro de 2025 – Em um momento inédito, a Cúpula das Infâncias encerrou suas atividades neste sábado com a aprovação, em plenária final, da Carta das Infâncias, documento construído coletivamente e liderado por crianças e adolescentes. A carta expressa as percepções, dores, expectativas e reivindicações de cerca de 600 crianças e adolescentes, de 0 a 17 anos, que participaram do movimento realizado na última semana em Belém, como parte da Cúpula dos Povos. Durante cinco dias, crianças e adolescentes de diferentes territórios – ilhas, periferias urbanas, quilombos, terras indígenas, comunidades ribeirinhas e centros urbanos da Amazônia e de outras regiões do Brasil – compartilharam experiências sobre como as mudanças climáticas afetam diretamente suas vidas. A programação, registrada e acompanhada pelo perfil @cupuladasinfancias, reuniu rodas de conversa, oficinas, atividades culturais e espaços de cuidado, priorizando a escuta e a autonomia das infâncias. Na carta, crianças e adolescentes pedem: “Cuidem do nosso planeta agora. Queremos continuar vivos e vivas”, enquanto relatam, em primeira pessoa, o impacto real do calor extremo, da fumaça das queimadas, da falta de árvores nas escolas, dos rios poluídos e do adoecimento provocado pela crise climática. Participação como eixo central A plenária final, conduzida por adolescentes, marcou um momento simbólico e político: as infâncias ocupando um espaço tradicionalmente reservado aos adultos. “Não temos poder, dinheiro ou cargos importantes, mas temos o futuro”, afirma um dos trechos mais marcantes do documento. Outro ponto central é o pedido para que as crianças sejam efetivamente ouvidas: “Os adultos devem fazer sua parte, porque estamos fazendo a nossa. E devem nos ouvir – porque muitas vezes mandam a gente calar a boca quando tentamos falar”. Durante a semana, os adolescentes e crianças tiveram oportunidade não apenas de se expressar e participar da agenda paralela à COP-30, mas também de dialogar com organismos internacionais e com políticos, autoridades e representes de governos, como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a primeira-dama Janja Lula da Silva, a Secretária de Educação Continuada de Jovens e Adultos e Inclusão do Ministério da Educação, entre outros. Sobre a Cúpula das Infâncias Criada como parte oficial da Cúpula dos Povos, a iniciativa posiciona crianças e adolescentes como protagonistas no debate climático. Além de reunir mais de 600 participantes, o espaço envolveu educadores, organizações da sociedade civil, coletivos culturais e lideranças comunitárias que atuam diariamente para garantir direitos e promover justiça climática a partir das infâncias. Para garantir a escuta e reconhecimento da manifestação de todos, desde as crianças da primeira infância (0 a seis anos), especialista adaptaram a metodologia, usaram jogos, brincadeiras, levaram os bebês para interagir em espaços com a natureza. A Carta das Infâncias será agora encaminhada a representantes da sociedade civil, governos, delegações internacionais e organismos que atuam na COP30, reforçando a urgência de respostas climáticas que considerem quem mais sente, hoje, os efeitos do aquecimento global.
Comida é ato político!

Comida é ato político! 🍛✊🏽 O Banquetaço da Cúpula dos Povos encerra a programação no dia 16 de novembro, reunindo cozinhas coletivas, alimentos agroecológicos e partilha popular bem ali na Praça da República. Uma celebração do direito humano à alimentação adequada e da comida de verdade, do campo à mesa. Cúpula dos Povos, de 12 a 16 de novembro em Belém do Pará, o mundo se encontra aqui.🌍 #Banquetaço #CúpulaDosPovos #ComidaDeVerdade #SoberaniaAlimentar #BelémComida é ato político! 🍛✊🏽 O Banquetaço da Cúpula dos Povos encerra a programação no dia 16 de novembro, reunindo cozinhas coletivas, alimentos agroecológicos e partilha popular bem ali na Praça da República. Uma celebração do direito humano à alimentação adequada e da comida de verdade, do campo à mesa. Cúpula dos Povos, de 12 a 16 de novembro em Belém do Pará, o mundo se encontra aqui.🌍 #Banquetaço #CúpulaDosPovos #ComidaDeVerdade #SoberaniaAlimentar #Belém
50 MIL PESSOAS TOMAM BELÉM: Marcha Global por Justiça Climática exige ‘COP da Verdade’ e fim da dependência fóssil na Amazônia

Em ato histórico, Ministras Marina Silva e Sônia Guajajara se unem a movimentos e líderes de 65 países, afirmando que a solução para a crise climática vem dos “guardiões da vida” e da construção de um novo “mapa do caminho”. A capital paraense está sendo palco de uma demonstração massiva de força popular e política com a realização da Marcha Global por Justiça Climática, no quinto dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). A Marcha reforça a voz do Sul Global com a adesão de mais de 30 mil pessoas de todo o mundo. O percurso é de 4,5 km, entre o Mercado de São Brás e a Aldeia Cabana, organizada em blocos de Movimentos Sociais, Internacionalistas e da Transição Justa. O ato se traduz em um alerta contundente: os povos que resistem diariamente ao desmatamento e à ganância que mercantiliza a terra e a vida são os verdadeiros responsáveis por guiar a solução climática. O protesto é o principal contraponto político à cúpula oficial, unindo a agenda do governo federal e a voz da base em uma só praça. As vozes da Amazônia: Sônia Guajajara e Marina Silva O momento mais emblemático da manhã é a participação das Ministras Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), que endossam a Marcha, reconhecendo a rua como o espaço fundamental para a democracia e a justiça climática. Sônia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas, destaca que a Amazônia se tornou o centro do debate global: “Nós, povos indígenas, que sempre estivemos aqui, nos juntamos neste momento para receber o mundo. Chegou a vez da Amazônia falar para o mundo. Chegou a vez aqui de encontrarmos o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pampa, o Pantanal, a Caatinga, que estão sendo igualmente destruídos. É por isso que aqui se torna, neste momento, a zona azul da COP30, onde se encontram os guardiões e as guardiãs da vida.” A Ministra reafirma que o movimento indígena e os povos tradicionais são os responsáveis por resistir às mazelas causadas pela ganância. Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, saúda o ato, contrastando a participação popular com o histórico de cúpulas fechadas: “Em outras realidades políticas do mundo, aonde as manifestações eram feitas apenas dentro do espaço da ONU, agora, no Brasil, um país do Sul Global, de uma democracia conquistada e consolidada, sejam bem-vindos às praças.” A Ministra repete o chamado do Presidente Lula, exigindo que a COP30 seja a “COP da verdade” e da “implementação”, e que a prioridade seja o fim da dependência fóssil. “Nós temos que fazer o mapa do caminho para a transição, para o fim da dependência de carvão, de petróleo e de gás. É fundamental que o mundo dê demonstração de que vamos sim adaptar. […] Nosso compromisso é desmatamento zero.” Marina Silva reforça que a luta passa por combater o racismo ambiental, a destruição da Mãe Terra e a dependência dos povos diversos, reconhecendo o trabalho dos seringueiros, ribeirinhos, quebradeiras de coco e quilombolas. Alerta e compromisso A Marcha está organizada com base na urgência de fazer com que as vozes da rua – dos atingidos, das periferias, dos povos indígenas e dos trabalhadores – sejam escutadas nas mesas de negociação da COP30. O percurso de 4,5 km é um símbolo da resistência global que exige o cumprimento das metas climáticas e a construção de um Projeto de Transição Justa que saia da teoria e se torne prática no Sul Global. Fotos:Zé Netto
105 mil refeições: Cozinha da Cúpula dos Povos é manifesto de soberania agroecológica contra falsas soluções climáticas.

Belém (PA) — Enquanto a Cúpula dos Povos ecoa o grito de denúncia contra as falsas soluções climáticas sobre as águas da Baía do Guajará, um gigantesco ato de soberania e resistência acontece nos bastidores: a Cozinha Solidária Popular. Organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), com apoio de outros movimentos sociais: Movimento Camponês Popular (MCP), Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), esta operação logística garante que a alimentação das delegações inscritas seja garantida. Uma ação que por si só reforça uma declaração política em favor da agricultura familiar, dos povos tradicionais e da transição agroecológica. O projeto alimenta as delegações inscritas, vindas de 62 países, com um esforço logístico monumental: são servidas 21 mil refeições por dia, totalizando 105 mil refeições ao longo dos cinco dias de evento, toneladas de alimentos fornecidos diretamente pela agricultura camponesa. Movimentos e a cozinha da resistência trazem a prática da reparação para o prato As cozinhas solidárias organizados pelo MTST simbolizam a resistência que conecta o campo e a cidade, o rio e a floresta, no enfrentamento ao modelo corporativo de exploração. “Na verdade, a Cozinha Solidária é a consolidação de todo o processo que começa ainda na luta pela terra. Então, a gente luta pela terra, conquista a terra, seja resex, seja assentamentos rurais.” Fábio Pacheco, integrante ANA, explica que o processo produtivo baseado na agroecologia, utilizando as políticas públicas que os movimentos também lutaram para ter é o caminho para construção da justiça climática. “A partir desse processo, transformando as ações nos territórios em politicas de massa, como nos mostra a Política de Aquisição de Alimentos (PAA) fortalecermos o protagonismo de quem constrói o abastecimento alimentar a partir dos territórios e deixa claro que o caminho para o desenvolvimento passa pela construção popular, pela soberania dos territórios e pela Agroecologia. Com financiamento público e sem falsas soluções arquitetadas pelo mercado financeiro pintada de verde”. Importante dizer que a cozinha carrega o espírito da luta pela terra, pela produção, inserção no mercado e pelas políticas públicas que apoiam todo esse processo. Quando as pessoas produzem o alimento, elas estão trabalhando a partir dessa perspectiva. Elas entendem a importância de estar cozinhando uma comida de verdade. “E, quando entregam isso às populações vulneráveis, nos encontros, eles estão entregando um pouco da luta ali, embalada numa quentinha, e desfrutam do sabor de toda a conquista dessa luta”, diz Pacheco. O papel da alimentação nessa Cúpula Ayala Ferreira, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), enfatiza que a alimentação de qualidade, com origem nos próprios territórios, é uma condição essencial para o êxito da mobilização da Cúpula dos Povos. A líder esclarece que, durante o planejamento da cúpula, tornou-se evidente que a pauta da justiça climática deve obrigatoriamente abranger a alimentação, pois esta “conecta problemas importantes e soluções dos territórios”. Ferreira complementa, destacando o papel político da iniciativa: “Além disso, ninguém vai para a marcha, para a luta, para os debates de barriga vazia. Nesta cúpula, a alimentação tem um projeto político inserido. É a grande mensagem que queremos enfatizar.” A origem dos ingredientes: O mapa da soberania alimentar Mais que alimentar as delegações inscritas, a Cúpula dos Povos pensou estrategicamente em transformar a comida em um manifesto de resistência e luta contra o agronegócio, que não enche o prato do povo brasileiro. E aqui tudo foi cuidadosamente pensado, um cardápio que prioriza alimentos naturais, frescos e direto dos territórios dos pequenos agricultores, daqueles que começam o cuidado com o alimento desde o lançar semente na terra. Assentados do Movimento Sem Terra (MST) estão fornecendo as hortaliças e poupas produzidas pelos assentamentos de reforma agrária, pequenos agricultores do Movimento Camponês Popular (MCP) o arroz, o feijão e a farinha. Já a Asproc, cooperativa de extrativistas de Manaus fornece o pirarucu de manejo. Quebradeiras de côco do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Côco Babaçu (MQCB) forneceram o óleo produzido nas comunidades tradicionais que vivem da extração e venda dos produtos do Bababaçu. E cooperativas de pequenos agricultores de São Luiz estão fornecendo o frango. Em números Na plenária final (14/11), Fernando Campos Costa, da Comissão Política da Cúpula e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), ressaltou a grande entrega da Cozinha Popular da Cúpula dos Povos, que segundo ele representa um esforço logístico e político sem precedentes. “O projeto está servindo um total impressionante de 160 toneladas de alimentos ao longo dos cinco dias do evento. São 21 mil refeições por dia.” Para sustentar essa operação, foram mobilizadas cerca de 300 pessoas entre voluntários e profissionais fixos, responsáveis por processar mais de 4 toneladas de alimentos diariamente. Tudo bem fresquinho, fornecido exclusivamente pela agricultura familiar e pelos movimentos sociais (MST, MCP, MQCB), garantindo que as delegações de 62 países sejam alimentadas com comida de luta e soberania. Foto: Rodrigo Duarte /@rodrigobduartee_
Marcha Global por Justiça Climática levará milhares às ruas de Belém, da capital da COP neste sábado

A Cúpula dos Povos deverá levar cerca de 30 mil pessoas para as ruas de Belém, capital da COP30, na Marcha Global por Justiça Climática programada para este sábado, 15 de novembro. Este grande ato de rua percorrerá 4,5 quilômetros com povos vindos de diversos países para levar ao mundo mensagens em defesa de soluções reais para a crise climática. Protagonistas das soluções reais, os povos originários, quilombolas, pescadores, juventudes, trabalhadores, homens, mulheres, pessoas trans e crianças mobilizados em uma ampla rede de organizações da sociedade civil marcharão por um objetivo comum: exigir a reparação pelos danos que as corporações e governos causam à sociedade, sobretudo aos povos tradicionais e periféricos ao apostarem em falsas soluções de eliminação ou redução de impactos. A Marcha Global por Justiça Climática reafirma que não há tempo para ilusões. As chamadas soluções de mercado, como créditos de carbono, compensações florestais, geoengenharia e privatização dos territórios, aprofundam desigualdades, permitem que grandes emissores sigam poluindo e deslocam comunidades inteiras em nome de uma “transição” que não passa de maquiagem verde. O documento político da Cúpula dos Povos denuncia que, enquanto corporações lucram com a crise, são os povos dos territórios que menos contribuíram para o aquecimento global quem carregam os impactos mais violentos. São enchentes, secas extremas, perda de biodiversidade, insegurança alimentar e o avanço de projetos extrativistas que violam direitos humanos. Por isso, a Marcha Global por Justiça Climática reivindica que as decisões sobre o futuro do clima sejam tomadas a partir da justiça, da ciência dos povos e da defesa da vida, e não dos interesses econômicos que historicamente capturaram as negociações da ONU. A marcha também ecoará a mensagem de que não haverá justiça climática sem justiça social, defendendo que soluções reais já existem e são construídas diariamente nos territórios com as práticas agroecológicas, manejo comunitário, economia solidária, proteção ancestral da biodiversidade, soberania alimentar e práticas tradicionais de cuidado com as águas e as florestas. A mobilização pretende marcar simbolicamente o encontro entre os povos da Amazônia e delegações de todos os continentes em um chamado global: “Justiça Climática Já – pelo fim das falsas soluções e em defesa das soluções vindas dos territórios”. Entre os eixos defendidos na mobilização estão: • Reparação histórica e responsabilização de países ricos e corporações pelos danos causados; • Fim das falsas soluções que transformam a natureza em ativo financeiro; • Proteção dos territórios e maretórios, demarcação imediata de terras indígenas e quilombolas; • Transição justa, popular e inclusiva, com direitos e escuta garantidos para trabalhadores e comunidades; • Fortalecimento da democracia, enfrentamento ao racismo ambiental e às desigualdades; • Centralidade dos maretórios e territórios das águas, reconhecendo o papel de povos ribeirinhos, pescadores artesanais e comunidades costeiras na defesa da Amazônia e dos oceanos. Trajeto da Marcha – 15 de novembro 7:30 – Concentração no Mercado de São Brás, no bairro de São Brás. 9:00 – Saída do Mercado de São Brás 11:00 – Chegada na Aldeia Cabana, no bairro da Pedreira. Percurso – Avenida Duque de Caxias, Travessa Mauriti e Avenida Pedro Miranda. ……………………………… Por que marchamos? Ayala Ferreira – Coordenação Nacional do Movimento Sem Terra (MST) “Nós, do MST, marchamos porque sabemos que a luta pela terra, pela água e pela comida de verdade é a mesma luta por justiça climática. Os povos dos territórios já provaram que existem soluções reais para enfrentar a crise, enquanto governos e corporações insistem em empurrar falsas promessas que só aumentam a fome, expulsam comunidades e destroem a natureza. Marchamos em solidariedade internacional, unindo trabalhadores do campo e da cidade, povos da Amazônia e companheiros de todo o mundo, para afirmar que a vida não é mercadoria e que a saída está na força dos territórios. É por isso que estaremos nas ruas de Belém no dia 15: porque sem justiça social, não existe justiça climática.” Ivan Gonzales – Coordenação Política da Confederação Sindical das Américas (CSA) “Vamos marchar porque os povos seguem construindo sua história de resistência, solidariedade e dignidade. Os povos, a classe trabalhadora, os povos originários e as comunidades somos a solução para as crises sistêmicas do capitalismo.” Mai Taqueban – Executive diretor da Friends of the Earth Philippines/ lrc-ksk “Dos rios aos mares, das favelas às florestas, estamos nos levantando juntos por soluções reais que sejam conduzidas pelos povos, não pelas corporações. Isso tudo faz parte de uma luta maior por mudanças transformadoras contra um sistema construído sobre a desumanização e a exploração dos povos e sobre a devastação do meio ambiente. Viemos de todas as partes do mundo para estar em solidariedade uns com os outros, fortalecer nossas lutas e traçar, juntos, um caminho para um mundo mais justo. Cupim – Coordenação do Movimento pela Soberania na Mineração (MAM) “Marcharemos assim como marchamos há décadas, há séculos! Pela vida, pela manutenção das vidas no planeta Terra. Continuaremos lutando pelos direitos da classe trabalhadora, principal afetada pelas questões climáticas, e pelos direitos da natureza — afinal, somos parte dela. Marcharemos para denunciar e lutar contra todas as opressões e preconceitos, porque acreditamos em outra sociedade, que não seguirá os moldes atuais do modo de produção capitalista.” Iury Paulino – Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) “Está chegando a hora da Marcha Global por Justiça Climática. Nossa marcha é amanhã, com concentração no Mercado de São Brás a partir das 7h e saída às 9h pontualmente. Vamos até a Aldeia Cabana levando todos os povos, todas as pautas, todas as reivindicações e todas as propostas de solução para a crise climática — e também a alegria e a diversidade dos nossos povos. Marcha por Justiça Climática já!” Sebastián Ordóñez Muñoz – Representante da War on Want “Amanhã tomamos as ruas de Belém — marchamos na Amazônia — para tornar visível o processo político que vimos construindo há meses, a grande convergência que organizamos e o caminho que estamos traçando adiante. Como Cúpula dos Povos, caminhamos para consolidar nossa força coletiva: povos indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas, movimentos camponeses, feministas, juventudes, sindicatos, comunidades
Seminário Internacional destaca caminhos para uma Transição Energética Justa, Popular e protagonizada pelos Povos

14/11/25 – Belém/PA – O seminário internacional “Transição Energética Justa e Popular para os Povos” reuniu na Cúpula dos Povos na COP 30, lideranças comunitárias, trabalhadores, organizações sociais e representantes de diversos países do Sul Global para debater os caminhos de uma transição capaz de enfrentar desigualdades, reduzir impactos ambientais e garantir soberania energética aos territórios. O encontro destacou que os modelos hoje dominantes — baseados na financeirização, em megaprojetos e na expansão de áreas de sacrifício — não atendem às necessidades dos povos e, ao contrário, aprofundam injustiças históricas. As falas reforçaram que uma transição justa só é possível com participação social, descentralização, tecnologias apropriáveis e reconhecimento dos direitos dos trabalhadores e comunidades atingidas, representadas por pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimiento de Afectados por Represas (MAR). Abrindo o debate, representantes de movimentos populares defenderam que a transição energética precisa romper com as empresas fósseis e com o mercado financeiro, responsáveis pela crise climática e por décadas de exploração dos territórios. O chamado central foi por democracia energética, com controle comunitário, justiça social e políticas públicas que priorizem quem mais sofre os impactos da crise do clima. O encontro contou ainda com uma rodada de depoimentos de vítimas de desastres ambientais, que trouxeram a perspectiva concreta de territórios que vivem as consequências de modelos predatórios. Um poema-performance enfatizou que a resistência nasce da agressão vivida pelos povos, reforçando que os atingidos devem ser reconhecidos como protagonistas da transformação energética. Gery, trabalhador do setor de petróleo nos Estados Unidos, denunciou que a transição conduzida pelo mercado tem deixado comunidades inteiras à margem, com fechamento de refinarias, desemprego e abandono. “A transição, do jeito que está sendo feita, cria mais pobreza e mais sofrimento”, alertou. Da Venezuela, Eduardo Castilho, da Frente Ecossocialista pela Vida, criticou a lógica dos megaprojetos e defendeu sistemas descentralizados e interconectados, que fortaleçam a autonomia popular. Para ele, toda matriz energética exige algum nível de extração, e por isso é necessário colocar a vida no centro do processo de transição. Do Paquistão, Hussam Jarwar denunciou a pressão de instituições financeiras internacionais para substituir carvão por gás, LNG e hidrelétricas sem consultar comunidades locais. Ele afirmou que esse modelo aprofunda dívidas, encarece a energia e fragiliza trabalhadores, mulheres e jovens, reforçando a necessidade de articulação internacional contra transições impostas. Representante de Moçambique, uma liderança comunitária relatou o avanço do extrativismo em territórios antes autossuficientes, denunciando a destruição de modos de vida e a crescente dependência de importação de alimentos. Em sua fala, destacou o papel das mulheres africanas como guardiãs da terra e defendeu soberania territorial e modelos sustentáveis alinhados às realidades locais. Encerrando as intervenções, Beatriz Dias, jovem amazônida do Amapá, cobrou a presença efetiva da juventude — especialmente periférica, negra, indígena e quilombola — nos debates da COP30. Para ela, discutir futuro e clima sem garantir o protagonismo dos jovens é negar o próprio direito ao futuro. O seminário reforçou que uma transição energética verdadeiramente justa é popular, territorializada e construída a partir das necessidades dos povos, com democracia, soluções comunitárias e enfrentamento do modelo extrativista que alimenta a crise climática. Fotos: Samara Silva/Ag.EficazPress
