A Cúpula dos Povos deverá levar cerca de 30 mil pessoas para as ruas de Belém, capital da COP30, na Marcha Global por Justiça Climática programada para este sábado, 15 de novembro. Este grande ato de rua percorrerá 4,5 quilômetros com povos vindos de diversos países para levar ao mundo mensagens em defesa de soluções reais para a crise climática.

Protagonistas das soluções reais, os povos originários, quilombolas, pescadores, juventudes, trabalhadores, homens, mulheres, pessoas trans e crianças mobilizados em uma ampla rede de organizações da sociedade civil marcharão por um objetivo comum: exigir a reparação pelos danos que as corporações e governos causam à sociedade, sobretudo aos povos tradicionais e periféricos ao apostarem em falsas soluções de eliminação ou redução de impactos.

A Marcha Global por Justiça Climática reafirma que não há tempo para ilusões. As chamadas soluções de mercado, como créditos de carbono, compensações florestais, geoengenharia e privatização dos territórios, aprofundam desigualdades, permitem que grandes emissores sigam poluindo e deslocam comunidades inteiras em nome de uma “transição” que não passa de maquiagem verde.

O documento político da Cúpula dos Povos denuncia que, enquanto corporações lucram com a crise, são os povos dos territórios que menos contribuíram para o aquecimento global quem carregam os impactos mais violentos. São enchentes, secas extremas, perda de biodiversidade, insegurança alimentar e o avanço de projetos extrativistas que violam direitos humanos.

Por isso, a Marcha Global por Justiça Climática reivindica que as decisões sobre o futuro do clima sejam tomadas a partir da justiça, da ciência dos povos e da defesa da vida, e não dos interesses econômicos que historicamente capturaram as negociações da ONU.

A marcha também ecoará a mensagem de que não haverá justiça climática sem justiça social, defendendo que soluções reais já existem e são construídas diariamente nos territórios com as práticas agroecológicas, manejo comunitário, economia solidária, proteção ancestral da biodiversidade, soberania alimentar e práticas tradicionais de cuidado com as águas e as florestas.

A mobilização pretende marcar simbolicamente o encontro entre os povos da Amazônia e delegações de todos os continentes em um chamado global: “Justiça Climática Já – pelo fim das falsas soluções e em defesa das soluções vindas dos territórios”.

Entre os eixos defendidos na mobilização estão:
• Reparação histórica e responsabilização de países ricos e corporações pelos danos causados;
• Fim das falsas soluções que transformam a natureza em ativo financeiro;
• Proteção dos territórios e maretórios, demarcação imediata de terras indígenas e quilombolas;
• Transição justa, popular e inclusiva, com direitos e escuta garantidos para trabalhadores e comunidades;
• Fortalecimento da democracia, enfrentamento ao racismo ambiental e às desigualdades;
• Centralidade dos maretórios e territórios das águas, reconhecendo o papel de povos ribeirinhos, pescadores artesanais e comunidades costeiras na defesa da Amazônia e dos oceanos.

Trajeto da Marcha – 15 de novembro

7:30 – Concentração no Mercado de São Brás, no bairro de São Brás.

9:00 – Saída do Mercado de São Brás

11:00 – Chegada na Aldeia Cabana, no bairro da Pedreira.

Percurso – Avenida Duque de Caxias, Travessa Mauriti e Avenida Pedro Miranda.

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Por que marchamos?

Ayala Ferreira – Coordenação Nacional do Movimento Sem Terra (MST)
“Nós, do MST, marchamos porque sabemos que a luta pela terra, pela água e pela comida de verdade é a mesma luta por justiça climática. Os povos dos territórios já provaram que existem soluções reais para enfrentar a crise, enquanto governos e corporações insistem em empurrar falsas promessas que só aumentam a fome, expulsam comunidades e destroem a natureza. Marchamos em solidariedade internacional, unindo trabalhadores do campo e da cidade, povos da Amazônia e companheiros de todo o mundo, para afirmar que a vida não é mercadoria e que a saída está na força dos territórios. É por isso que estaremos nas ruas de Belém no dia 15: porque sem justiça social, não existe justiça climática.”

Ivan Gonzales – Coordenação Política da Confederação Sindical das Américas (CSA)
“Vamos marchar porque os povos seguem construindo sua história de resistência, solidariedade e dignidade. Os povos, a classe trabalhadora, os povos originários e as comunidades somos a solução para as crises sistêmicas do capitalismo.”

Mai Taqueban –  Executive diretor da Friends of the Earth Philippines/ lrc-ksk
“Dos rios aos mares, das favelas às florestas, estamos nos levantando juntos por soluções reais que sejam conduzidas pelos povos, não pelas corporações. Isso tudo faz parte de uma luta maior por mudanças transformadoras contra um sistema construído sobre a desumanização e a exploração dos povos e sobre a devastação do meio ambiente. Viemos de todas as partes do mundo para estar em solidariedade uns com os outros, fortalecer nossas lutas e traçar, juntos, um caminho para um mundo mais justo.

Cupim – Coordenação do Movimento pela Soberania na Mineração (MAM)
“Marcharemos assim como marchamos há décadas, há séculos! Pela vida, pela manutenção das vidas no planeta Terra. Continuaremos lutando pelos direitos da classe trabalhadora, principal afetada pelas questões climáticas, e pelos direitos da natureza — afinal, somos parte dela. Marcharemos para denunciar e lutar contra todas as opressões e preconceitos, porque acreditamos em outra sociedade, que não seguirá os moldes atuais do modo de produção capitalista.”

Iury Paulino – Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
“Está chegando a hora da Marcha Global por Justiça Climática. Nossa marcha é amanhã, com concentração no Mercado de São Brás a partir das 7h e saída às 9h pontualmente. Vamos até a Aldeia Cabana levando todos os povos, todas as pautas, todas as reivindicações e todas as propostas de solução para a crise climática — e também a alegria e a diversidade dos nossos povos. Marcha por Justiça Climática já!”

Sebastián Ordóñez Muñoz – Representante da War on Want
“Amanhã tomamos as ruas de Belém — marchamos na Amazônia — para tornar visível o processo político que vimos construindo há meses, a grande convergência que organizamos e o caminho que estamos traçando adiante. Como Cúpula dos Povos, caminhamos para consolidar nossa força coletiva: povos indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas, movimentos camponeses, feministas, juventudes, sindicatos, comunidades negras e periféricas, pessoas migrantes, LGBTQIA+, trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, organizações do Brasil e do mundo. Na nossa diversidade, marchamos como um só corpo político.
Marchamos para reafirmar nossas lutas e declarar, com firmeza, que aqueles que negam a vida — que espalham medo, geram divisão, defendem o capital e atacam nossos territórios — não falam por nós. Defendemos a vida em todas as suas formas: os rios e as florestas, a biodiversidade, a memória, a história e o cuidado cotidiano que sustenta nossos povos. No coração da Amazônia, tomamos as ruas para dizer que outro futuro já está sendo tecido — e que o estamos construindo juntas e juntos.”