Belém (PA), 16 de novembro de 2025 — A Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 encerrou hoje, 16, sua programação em Belém (PA) entregando ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, uma carta de grande densidade política, construída coletivamente por movimentos, organizações e redes que se articularam ao longo de meses de encontros preparatórios e de cinco dias intensos de debates, manifestações nas ruas e rios da cidade amazônica.

O documento expressa a unidade de povos originários, comunidades tradicionais, quilombolas, pescadores e pescadoras, extrativistas, quebradeiras de coco babaçu, camponeses, trabalhadores e trabalhadoras urbanas, juventude, movimentos de mulheres, população LGBTQIAPN+, sindicatos, moradores das periferias e lutadores e lutadoras de todos os biomas. Segundo o texto, o processo coletivo afirma o compromisso de construir um mundo justo e democrático, baseado no bem viver e na força da diversidade.

A carta denuncia que a crise climática se agrava com o avanço da extrema direita, do fascismo e das guerras, e afirma que os países do Norte global, as corporações transnacionais e as elites econômicas são os principais responsáveis pelas múltiplas crises ambientais e sociais. Há forte repúdio ao genocídio do povo palestino e solidariedade ativa a povos que resistem a projetos imperiais, à militarização e à violação de seus territórios.

O texto também reafirma uma visão que coloca o trabalho de cuidado no centro da vida, reconhecendo o feminismo como parte essencial da resposta às crises. A sabedoria ancestral dos povos originários, a criatividade dos territórios e a força espiritual que orienta as lutas aparecem como fundamentos de soluções reais e enraizadas.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, recebeu a carta no momento em que conclui seu próprio ciclo de mensagens à sociedade brasileira e internacional, ressaltando a necessidade de que a COP não seja apenas um espaço de palavras, mas de ação concreta diante da emergência climática. Ele se comprometeu a encaminhar o documento nos espaços oficiais da Conferência do Clima.

Entre as vozes que ecoam neste processo está a do cacique Raoni Metuktire, que, ao se manifestar durante a programação da Cúpula e da COP30, voltou a alertar que a vida na Terra depende da proteção da Amazônia e que a destruição da floresta compromete o futuro de toda a humanidade.

“Mais uma vez, peço a todos que possamos dar continuidade a essa missão de poder defender a vida da Terra, do planeta. Eu quero que tenhamos essa continuidade de luta, para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal, que querem destruir a nossa terra”, disse Raoni.

A Carta Final reforça o compromisso com o internacionalismo popular, a solidariedade entre territórios e a construção de um Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, crimes socioambientais e impactos da crise climática. Para os movimentos, somente a organização global dos povos poderá enfrentar as estruturas que alimentam desigualdades, violências e o colapso ambiental. A mensagem é clara. Quando a organização é forte, a luta é forte. É tempo de avançar com mais unidade e consciência para enfrentar o inimigo comum e defender a vida.

Propostas apresentadas pela Cúpula dos Povos

Confira a carta na íntegra AQUI