Este ano, é esperada grande participação nas ruas em defesa democracia, soberania e plebiscito popular como instrumentos de mobilização

Belém (PA), 5 de setembro de 2025 –  No Dia da Amazônia, cerca de 26 organizações, entre movimentos sociais, pastorais sociais e centrais sindicais, lançam chamado para o Grito dos Excluídos e das Excluídas que acontece em 7 de setembro na capital paraense, sede da COP30. Em articulação com as marchas que acontecerão em todo o Brasil, a da capital paraense ocupará as ruas em defesa da soberania na perspectiva de um país que garanta comida na mesa de todos, moradia e respeito aos territórios. Também chamará para o plebiscito que mobiliza a sociedade para discutir e defender jornada de trabalho justa e taxação dos super ricos.

O Grito é uma mobilização histórica no Brasil. “O Grito dos Excluídos e das Excluídas faz parte de um coletivo que compõe muitos movimentos sociais, organizações sociais, pastorais sociais, partidos políticos, ecoando as vozes importantes que mostram as demandas, as desigualdades sociais que a gente tem na nossa sociedade”, explica Katiane Souza, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

Este ano, a temática mobilizadora é “Vida em primeiro lugar – Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. Ela serviu de base para mobilizações que aconteceram ao longo do ano para envolver e organizar a sociedade civil.

“Esse processo é um processo mesmo coletivo da gente poder unir forças. Então, essa questão do dia 7, para além de unir forças, a gente relembra muito que é no sentido de poder falar e questionar se realmente houve uma independência de fato no Brasil. Principalmente quando a gente olha para um contexto de uma sociedade onde, em sua maioria, são pessoas negras, mulheres negras, que estão no contexto de exclusão, que sofrem com o racismo estrutural, que sofrem com a necropolítica, que sofrem com o sexismo, onde não tem acesso a uma educação, uma saúde, de qualidade, a uma moradia”, completa.

As organizações alertam que o Brasil não vive apenas uma democracia fragilizada, mas sim uma democracia ameaçada, diante da escalada de discursos de ódio, retrocessos de direitos e da captura do Estado por interesses privados. Para os movimentos, democracia só existe se for exercida desde os territórios, com liberdade de expressão, participação popular, respeito às diferentes formas de vida e soberania.

“Pra nós, soberania é comida na mesa e cuidar da natureza. Quando a gente tem uma população que consegue se alimentar de forma correta, de forma saudável, isso representa também um poder pra esse país, representa a soberania. Quando consegue se alimentar com comida sem veneno, sempre podemos dizer que isso é cuidar da natureza e a soberania passa por esse caminho. Quando consegue ter sua casa e seu território respeitado, é soberania”, afirma Ricardo Cabano, do MST.

Para enfatizar essas análises, a marcha terá falas políticas, intervenções artísticas e coleta de votos para o plebiscito popular. A concentração será a partir das 8h da manhã na Escadinha da Estação das Docas. A caminhada seguirá até a Praça em frente ao Palácio Antônio Lemos.

Plebiscito Popular: mais que votos, mobilização

Um dos pontos de destaque do ato é o Plebiscito Popular “Por um Brasil mais justo”, apresentado por Ricardo Cabano, do MST, como um instrumento de mobilização e formação política. A consulta nacional pergunta à população sobre dois temas centrais. Um é se a pessoa é a favor da redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Outra é se ela é a favor de que os super-ricos paguem mais impostos e os trabalhadores de baixa renda sejam isentos.

O plebiscito começou em julho deste ano, trazendo para o debate público o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de folga). Proposta apresentada no Congresso pela deputada Érica Hilton reduz para escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de folga). Isso daria uma condição melhor para o trabalhador de construir a sua vida, conforme explica Ricardo.

Ele explica ainda que a proposta de taxar os super ricos tenta corrigir a injustiça fiscal existente no Brasil. Isso faz com que uma pessoa com rendas díspares, como os assalariados e em situação de vulnerabilidade paguem os mesmos preços por produtos que um rico. “Essa taxação visa diminuir essa injustiça entendendo que temos classe trabalhadora muito grande que paga muitos impostos”, enfatiza.

Ele ressalta, ainda, que o plebiscito cumpre uma função maior que consultar, uma vez que chama a população à reflexão. “O plebiscito não é só consulta. É uma ferramenta de mobilização, de debate sobre o tempo de vida, o tempo de trabalho e a justiça tributária. É o povo tomando em suas mãos o direito de decidir sobre os rumos do país”, destaca.

Amazônia no centro do Grito

O ato também será um espaço de denúncia sobre a realidade amazônica. Em Belém, onde será instalada a Casa da Cúpula dos Povos, movimentos reforçam que a Amazônia não pode ser tratada como mercadoria em negociações globais. “Nada sobre nós, sem nós”, diz Turi, liderança do território do Abacatal, em Ananindeua, reforçando uma fala cada vez mais forte de defesa da participação dos povos tradicionais nas decisões sobre seus territórios.

Serviço:

Data: 7 de setembro de 2025 (domingo)
Concentração: 8h na Escadinha da Estação das Docas (Belém – PA)
Marcha: até a Praça em frente ao Palácio Antônio Lemos
Programação: Intervenções culturais, falas de organizações populares e coleta de votos do Plebiscito Popular